Ãlbum Desconhecido – Juliana Perdigão

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Não é comum receber um disco de uma cantora e ouví-la, logo na primeira faixa, em sopro vigoroso num naipe composto por clarone, clarineta e flauta. É assim que Juliana Perdigão se apresenta na abertura de seu disco, dizendo, de pronto, não se tratar de uma artista comum. Seria um disco de cantora? Seu “Ãlbum Desconhecido†embute a pergunta no nome e a faz atravessar por um repertório de canções inéditas de artistas incomuns como ela, Juliana. Afinal, também não é sempre que temos dentre os músicos acompanhantes da cantora em foco, os compositores das canções. E se isso não é suficientemente raro para ser digno de comentário, não seria lúcido deixar de mencionar que esses compositores respondem pelos arranjos, por reconhecerem que sua verve pode e deve ser estendida a toda a trama que constitui a canção.

Para quem conhece a trajetória da cantora, não há surpresas nesse cruzamento de funções, valores, potencialidades. Em seu álbum de estréia Juliana nos brinda com seus talentos, que incluem , além da voz, a habilidade com os instrumentos de sopro e um pouco de violão. Integrante de grupos de choro, samba e rock, ao mesmo tempo pode ser vista em palcos de punkrock ou jazz, e com a mesma naturalidade com que urra uma canção de Tom Waits, nos apresenta a mais nova pérola de Paulo Cesar Pinheiro. Natural que ela atraia e dialogue com gente que tem também o leque aberto para a experimentação. Desde a concepção visual do disco (Cao Guimarães e Máximo Soalheiro, artistas de imagens) até as participações especiais (André Abujamra, Nailor Proveta, Rômulo Fróes, Benjamim Taubkin, Carlos Careqa), temos nesse “Ãlbum†a chance de ir aos poucos desvendando a singularidade dessa artista tanto desconhecida quanto interessante.

Kristoff Silva