Canto – André Mehmari

André Mehmari
Pianista. Arranjador. Compositor e multiinstrumentista. São essas duas últimas características que André Mehmari explora em seu novo CD “Canto”. O CD revela o lado criador musical de Mehmari e apresenta um retrato de sua composição desde 1999, quando foi gravado.
André toca em “Canto” 14 instrumentos diferentes: piano, sinth, órgão, acordeon, escaleta, piano Rhodes, viola, violino, violoncelo, rabecas, clarinete, flautas, viola caipira, violão, violão de aço, violão baixo, baixo acústico, baixo elétrico, guitarra, bateria, cavaquinho, kalimba e percussão. “O disco não seria possível sem o uso da tecnologia. É um processo moderno, de gravação não-linear”, afirma Mehmari.
São vários cantos de André revelados no CD. Em primeiro lugar, há composições homônimas no disco. Em segundo, a gravação e a mixagem foram feitas pelo seu “home-estúdio”, ou seja, em seu canto; e as fotos dos instrumentos na capa do CD foram produzidas por ele. O multiinstrumentista também faz uso da voz em algumas composicões: “eu canto”, explica. Para ele, ainda há outra razão para o nome do CD: “o canto é a expressão lírica da alma”, completa.
Há 11 faixas no disco, das quais apenas uma – “Cais” , de Milton Nascimento – apresentada num arranjo expandido, não é de sua autoria. Por sua admiração pela música barroca e renascentista, Mehmari criou a “Valsa Romântica” num estilo bem madrigalístico a partir do poema “Letra para uma Valsa Romântica”, de Manuel Bandeira. A faixa tem participação especial do cantor Tiago Pinheiro.
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Músicas
1- Prelúdio (Esperança) (André Mehmari) 3:13
2- Canto Primeiro (André Mehmari) 4:34
3- Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) 9:26
4- Valsa Romântica (André Mehmari / Manuel Bandeira) 7:42
5- Choro da Contínua Amizade (André Mehmari) 6:05
6- Canção sem Palavras (André Mehmari) 5:42
7- Mulher Rendera (Zé do Norte) 4:02
8- Miniatura (André Mehmari) 0:50
9- Canto das Geraes (André Mehmari) 4:37
10- Choro Turco (André Mehmari) 5:53
11- Farewell (André Mehmari) 3:44
Músico
André Mehmari
Pianista, arranjador, compositor e multiinstrumentista, nasceu na cidade de Niterói-RJ em 22 de abril de 1977. Teve seus primeiros contatos com a música através de sua mãe aos 5 anos de idade já em Ribeirão Preto-SP. Mudou-se para São Paulo em 1995, com seu ingresso na ECA-USP. Tornou-se mais conhecido pelo grande público quando venceu em 1998 o primeiro Prêmio Visa de MPB. Participou como solista em importantes festivais de jazz brasileiros como o Chivas Jazz, o Heineken Concerts (com Mônica Salmaso) e o TIM Festival, e internacionais como o Spoleto Festival USA (André Mehmari Trio) e Blue Note Tokyo (turnê japonesa de Joyce e Dori Caymmi). Apontado como um dos mais destacados músicos jovens da cena brasileira e premiado tanto na área erudita (Nascente-USP, Concurso Camargo Guarnieri e Prêmio Carlos Gomes) quanto popular (Visa, Nascente-USP) , André teve numerosas composições e arranjos tocados por alguns dos mais expressivos grupos orquestrais e de câmara brasileiros, entre eles OSESP, OSB, Sujeito a Guincho, Quarteto da Cidade de São Paulo e Quinteto Villa-Lobos. O CD Lachrimae apresenta além de composições próprias, recriações de clássicos da nossa rica música popular em arranjos de grande originalidade. Seu recente projeto “Piano e Voz”, com a cantora Ná Ozzetti, lançado em CD e DVD, é considerado uma obra prima pela crítica especializada. Em 2007 recebeu o prêmio Carlos Gomes na categoria revelação e foi apontado compositor residente para a Banda Sinfônica do Est. de São Paulo. Recentemente criou música orquestral para a abertura oficial dos Jogos Panamericanos Rio 2007, realizada no estádio do Maracanã, baseada em temas de Villa-Lobos, Jobim e Chico Buarque, obtendo grande sucesso e reconhecimento. Lançou recentemente ‘Contínua Amizade’, em parceria com o bandolinista Hamilton de Holanda, e prepara agora o lançamento de ‘De Árvores e Valsas…’, inteiramente dedicado `as suas composições, com participações de Zé Miguel Wisnik, Sérgio Santos, Monica Salmaso e Gabriele Mirabassi. Em 2008 participou com Ivan Lins da edição comemorativa de 30 anos do projeto Pixinguinha. A agenda do ano inclui diversas gravações e um concerto com solistas da OSESP, na série de câmara, onde Mehmari irá estrear seu concerto para jazz trio e orquestra de câmara. Discografia básica: Vencedores do Premio Visa de MPB de 1998 (Eldorado) Canto (Núcleo Contemporâneo,2002) Odisséia (PMC,2000) Lachrimae (Cavi, 2003) Piano e Voz (MCD, 2005) Critica: (…) Aos 29 anos, André Mehmari personifica a alma criativa brasileira. Isto é, sua música não tem fronteiras nem adjetivos. Tanto pode encapsular uma evolução harmônica inaudita que caminha vários séculos num arranjo de uma ária de Monteverdi quanto improvisar como o melhor dos melhores no reino do jazz e da música popular instrumental. Pilota um cravo com a mesma tranqüilidade com que escreve para orquestra (parece ter algumas décadas a mais de vida, tamanho o domínio da escrita musical). (…) é lírico como Jobim e atrevido no piano como Brad Mehldau) (…) João Marcos Coelho – O Estado de São Paulo “André Mehmari tornou-se uma referência para os novos pianistas- e vem causando espanto entre os veteranos, pela inteligência harmônica, a capacidade de improviso, a qualidade da composição, o conhecimento profundo da música brasileira. (…) Já consta da lista de nossos grandes instrumentistas de qualquer tempo. ” Mauro Dias / O Estado de São Paulo “O fluminense André Mehmari é, aos 21 anos, um artista singular. Dono de um lirismo novo, mostra-se capaz de revisitar o romantismo sob um prisma entregue e humorado. Como tem cabeça de compositor, ele, de fato, compõe, mesmo quando se põe a improvisar sobre idéias alheias.(…) Cria músicas novas, partindo de certos elementos dessas melodias,fazendo verdadeiras expedições sonoras.” J.Jota de Moraes / Jornal da Tarde (…)Lachrimae, de André Mehmari, é uma surpresa impressionante. Com uma mescla de canções clássicas (Só Louco, Dindi, Francisco, Pra dizer adeus e Carinhoso) e composições de Mehmari, o disco cria um novo patamar de qualidade na música brasileira. João Paulo, O Estado de Minas, a respeito do CD Lachrimae, em março de 2004.
Ficha Técnica
André Mehmari toca: piano, sinth, órgão, acordeon, viola, escaleta, piano Rhodes, violino, violoncelo, rabecas, clarinete, flautas, viola caipira, violão, violão de aço, violão baixo, baixo acústico, baixo elétrico, guitarra, bateria, cavaquinho, kalimba, percussão e voz.
Tiago Pinheiro: voz (faixa 4).Produzido por André Mehmari.
Arranjos: André Mehmari.
Lançado pela Gravadora Núcleo Contemporâneo em outubro de 2002.
Imprensa
“Um disco de música popular, com abordagem erudita, harmonioso e bonito”
Entrecantos
“Pianista e arranjador de muitos cantores e grupos do pop nacional, André se mostra polivalente no primeiro disco-solo. Produziu e tocou praticamente tudo no disco, mais de 20 instrumentos entre piano, cordas, sopros e percussão. O repertório é quase todo dele. As exceções são a regravação expandida de Cais (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos) e um tema incidental de Mulé Rendera (Zé do Norte). Nas outras nove músicas, Mehmari toca ataca do chorinho (Choro da Contínua Amizade) ao flerte com a música renascentista no poema de Manuel Bandeira (Valsa Romântica, cantada por Tiago Pinheiro). Um quê do modalismo mineiro aparece em Canto das Geraes e Farewell. André Mehmari faz aqui o que não pode (ou não deixam) fazer no pop.”
O Popular – Goiânia
“André Mehmari é um verdadeiro prisma musical. Tudo que atravessa sua alma vira som. Passou a ser mais conhecido a partir do primeiro lugar que dividiu com o contrabaixista Célio Barros na primeira versão instrumental do Prêmio Visa, em 1998. Mehmari, embora seja mais identificado como pianista – foi assim que conquistou esse prêmio – vai muito além desse instrumento. Neste CD, lançado pelo Núcleo Contemporâneo, ele toca simplesmente 14 instrumentos, compondo, arranjando e dando vida própria, muito própria, às 11 faixas do trabalho. O CD chama-se “Canto”. O multiinstrumentista também usa a voz no CD, mas a idéia é ainda mais abrangente quando o músico lembra que “o canto é a expressão lírica da alma”. O disco inicia com Prelúdio (Esperança), onde já se escuta também a voz de André, além de piano, viola, violão de aço, flauta, sinth e percussão. Como diz o próprio artista, o disco não seria possível sem o uso da tecnologia. Lembra ainda que é um processo moderno, de gravação não-linear. A segunda faixa é Canto primeiro, mais um show de tonalidades musicais e virtuosismo. O CD segue com a única composição que não é de autoria de André no disco. Trata-se da inspiradíssima Cais, de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Mehmari cria bastante e livremente sobre o tema numa faixa que dura quase dez minutos. Ele utiliza-se de 11 instrumentos, ou recursos, já que tem um sampler também. E por falar em recursos, num determinado momento, de piano acústico solo, ouve-se chiados, como se estivéssemos ouvindo um disco antigo. A faixa termina quase em sinfonia, incluindo também aí um vocalise de André. A quarta canção é Valsa romântica, que André fez a partir do poema “Letra para uma valsa romântica”, de Manuel Bandeira. Quem interpreta os versos é o cantor Tiago Pinheiro. Adiante com o sempre alto astral do chorinho. André compôs e interpreta Choro da contínua amizade, tocando instrumentos como cavaquinho, clarinete, viola caipira, acordeon e surdo, entre outros, junto com um pandeiro sampleado, tocado por Renato Martins. Depois vem Canção sem palavras com harmonias mais delicadas e sutis. A seguir André criou sobre a música Mulé Rendera (ou Mulher Rendeira) um tema popular nordestino que leva a fama de ter sido feita por Lampião. Na oportunidade em que foi incluída no premiado filme “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, o tema foi adaptado pelo compositor Zé do Norte, nome que consta no encarte do CD. Depois vem Miniatura, quase uma vinheta de 50 segundos, seguida de Canto das gerais, com mais vocalises, ou melhor, cantos de Mehmari. Ecos de voz, piano e baixo elétrico, sinth, bateria, tamborim e guitarra. A penúltima faixa é Choro turco, música que traz vários outros climas, além do chorinho propriamente dito. O CD termina inspirado com Farewell. Embora no encarte indique somente 11 faixas, atento, porque tem uma espécie de bônus track, uma décima segunda faixa bem generosa. Assim como é generosa a sonoridade e virtuosidade desse que é mais um gênio musical brasileiro!
Sérgio Fogaça, Página da Música
“Meu canto, no entanto, / mais te diviniza”. Esses dois versos de “Letra para uma Valsa Romântica”, de Manuel Bandeira, podem exprimir o que buscou André Mehmari na composição de seu primeiro CD solo, Canto (selo Núcleo Contemporâneo). Nele, o músico pôde mostrar diversas facetas de seu trabalho como multiinstrumentista, por meio de composições próprias, todas gravadas no estúdio que mantém em casa. Dentre as músicas escolhidas, apenas uma não é de sua autoria: “Cais”, de Milton Nascimento, recebeu um arranjo expandido, um “arranjo-composição”, atingindo quase dez minutos.
Carolina Motoki, Jornal da USP, 11 a 17/11/2002
“Mehmari is one of Brazils best-kept secrets. While most Brazilian musicians paint in bold primary colours of hot rhythms, Mehmari holds you in a spell with otherworldly, cool pastels, azure sonic washes and poetry. A classically-trained wunderkind barely into his twenties, Mehmari is a cross between Metheny, Shorter and Gismonti, playing reeds, strings, percussion and other instruments with an astonishing fluency. On Canto, classical elements collide with samba, jazz and drumnbass”.
John Stevenson, www.ejazznews.com
“Fluidly moving from classical to jazz to drum n bass, André Mehmari stands as a vibrant example of Brazils artistic eclecticismMehmaris compositions and arrangements have been performed by Banda Mantiqueira, the Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (São Paulo State Orchestra), São Paulos Jazz Sinfônica, and the Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo (São Paulo String Quartet).
Mauro Dias, in O Estado de S. Paulo says, “Pianist André Mehmari is a precocious genius, an extraordinary talent of vibrating and generous imagination. He uses his classical training to approach popular music as great pianists, such as Luis Eça and even Egberto (Gismonti), have before him, in a rich and creative way, making the formality of one language work for the enrichment of the other.” Even as Mehmari tours as an orchestral soloist and has his works performed by classical ensembles, his scores for ballet and film continue to bring him additional accolades. At last count, Mehmari had written soundtracks for over 500 television commercials and lists among his clients Varig, Nestle, Peugeot, Guaraná Antarctica, Volkswagen, General Motors, and Banco do Brasil.Although his classical training colors all his work, Mehmaris career in jazz and Brazilian popular music has also attained wide recognition through his work with producer Rodolfo Stroeter, singer/songwriter Joyce, Grammy-nominated arranger and woodwind virtuoso Nailor “Proveta” Azevedo, and percussionist Tutty Moreno.
Says, Moreno, “André Mehmari is a great up-and-coming talent. I met him during a concert that I was playing with the Filarmônica Brasileira. He was the piano soloist, and he impressed me from his first notes. When the chance came to record my Forças dAlma album, I didnt hesitate to call him. He was only 20-years-old then, and my instincts were exactly right. Since that time, he has written arrangements for some of the most celebrated artists in Brazilian popular music, including Joyce and Milton Nascimento. To me, his work sounds fresh, free from the usual clichés.”
Born in 1977, in Niterói, Rio de Janeiro, Mehmari began studying music with his mother at the age of five. By twelve, he had taught himself to improvise, written his firstcompositions, and completed an organ course at the Conservatory of Ribeirão Preto, São Paulo. While he was still in his early teens, he was interviewed and had his musical prowess touted by both Veja and Revide magazines.
Beginning his professional career as pianist and organist at social events, Mehmari decided to hone his talent by forming a jazz trio and performing at Ribeirão Pretos only jazz club. “It was fun,” says Mehmari, “but the club closed after a few months. I guess the music was too weird for such a small city.” Shorty afterward, Mehmari moved to the city of São Paulo to study at the State University (USP), where in his first year he won the universitys popular music composition contest. Two years later, with an active performing and arranging network already in place, Mehmari won the universitys classical music composition competition with his piece for five clarinets and piano. The following year, he won the first Prêmio Visa de MPB—the most important and respected competition in Brazilian popular music—which allowed him to record a CD with double bass player Célio Barros with whom he shared the award.
In 1999, Mehmari was invited to teach at the Campos do Jordão Winter Festival, and his second CD, Canto, was recorded in his home studio. Mehmaris arrangements and compositions on the CD show a sophistication for musical texture and color that is remarkable in so young a composer. Within this CDs plastic jewel case, there is such a wealth and variety of expression embraced that one feels, at the end, that a lifetime of experience has been exposed in a little over an hour. A simplicity born of sophistication is apparent on every track. “André Mehmari is the most phenomenal young talent to appear on Brazils music scene in recent years,” says guitar virtuoso Paulo Bellinati. “Besides his amazing technical fluidity, he is also a mature pianist, arranger, and composer who has a complete grasp of the contemporary music universe, from jazz to classical. I had the pleasure of playing with him only once, and I can say that it is very rare to find all those qualities together in such a young musician.”
Mehmari made his debut as a conductor in May 2000, when his “Enigmas” for solo double-bass, winds, and percussion (commissioned by the São Paulo State Wind Symphony) was premiered. He has recently received a commission from the Porto Alegre Symphony Orchestra to compose a work celebrating the life of Johann Sebastian Bach. Truly a rising star, Mehmari is a young man with style and intensity who can help guide Brazilian music through the dark and crooked passages of musical mediocrity and the current “funk” delirium that seems to increase each day, persuading listeners that banalities have meaning.
Sound Excursions – by Bruce Gilman


