Carlos Aguirre Grupo

Carlos Aguirre Grupo

Beginning the Núcleo Contemporâneo – Mercado da Bahia partnership, it presents representative works of the latin-american contemporary musical production. In this album, the Argentinean musician Carlos Aguirre reveals  compositions based or recreated from classics of his country’s folklore.

 

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Tracks

1- Los Tres Deseos de Siempre (Carlos Aguirre) 5:36
2- Zamba de Mancha y Papel (Carlos Aguirre) 4:21
3- Beatriz Durante (Carlos Aguirre) 2:22
4- Pedacito de Río (Carlos Aguirre) 1:19
5- Paloma y Laurel (Armando Tejada Gómez/César Isella) 4:23
6- Zamba de Usted (Félix Luna / Ariel Ramírez) 4:46
7- Pasarero (Carlos Aguirre) 2:21
8- Coplas de Cielo y Río (Carlos Aguirre) 2:21
9- Pedacito de Río II (Carlos Aguirre) 3:18
10- La Tarka (Carlos Aguirre) 4:19
11- Memoria de Pueblo (Carlos Aguirre) 4:39
12- La Espera (Carlos Aguirre) 2:21
13- Huella Mora (Carlos Aguirre) 4:31

 

Musicians

Carlos Aguirre
Carlos Aguirre
Carlos Aguirre’s starting point is Argentinean musical tradition, rich in its typical genres and styles (huaino, zamba, chacarrera and huella, etc.). Singer, pianist, guitarist, accordion player, and composer, he uses folk material from his country to extract tranquil yet emotional songs supported by a contemporary sound that incorporates musical elements from other parts of the world. Aguirre himself composes almost all the songs he plays and sings. His simplicity and refinement becomes evident in his discrete, fine-tuned voice, and in the delicate way he handles the acoustic guitar. He introduces the spirit of his lyrics with short poems or commentaries recited to the sound of piano, guitar, or accordion. As a composer, he writes pieces for piano, for theater, and for short films. Since 2002, he has coordinated the project “Compositores de nuestro país†that counts on the collaboration of important Argentinean musicians. He has an independent recording label together with Luis Barbiero.

 

Carlos Aguirre: voz, piano, teclado, acordeom, guitarra rítmica , bombo e percussão.
Silvina López: voz, guitarra esquerda.
Jorge Martí: guitarra direita.
Fernando Silva: baixo.
Quique Sinesi, Jorgelina Barbiero, José Luis Viggiano, Alfredo Arce, Luís Barbiero, Natalia Damadian e Angela Herrera: participação especial.
Produzido em 2000 por Shagrada Medra – Argentina.
Lançado em outubro de 2002 por Gravadora Núcleo Contemporâneo (São Paulo) e Instituto Casa Via Magia (Salvador ) – Brasil.

 

Press

“Fazer música, às vezes, parece muito simples. Um violão, uma voz afinada, um bumbo. Canções que bebem na fonte antiga. Versos sobre a lua, ou sobre o sol; sobre o amor, a amizade, a memória.
Mas música simples é rara, e mais rara ainda quando combinada à delicadeza, como é o caso neste CD tão bonito do compositor, pianista e cantor argentino Carlos Aguirre.
Gravado em Entre Rios, em 1999, o disco sai no Brasil numa parceria entre o selo Núcleo Contemporâneo, o Instituto Cultural Casa Via Magia e o Mercado Cultural (grande feira internacional de produtores que acontece anualmente em Salvador). O lançamento não poderia ser mais oportuno, em tempos de prometida integração latina; é o primeiro de uma anunciada coleção de artistas latino-americanos.
’A quién no le gusta la zamba…’ bom sujeito não é, mas o fato é que a gente conhece muito pouco da música popular da Argentina. Gardel e Piazzola; Piazzola e Gardel. Há alguns anos, Mercedes Sosa entraria na lista; hoje, não mais. “Faltam tantos que, se faltar mais um, não vai caberâ€, diria Macedonio Fernández (pequeno grande nome da literatura argentina -que também se conhece pouco, embora não tão pouco quanto a música).
A simplicidade da música de Carlos Aguirre é de um refinamento tal que seria melhor usar outra palavra. São canções na segunda potência, atualizando ‘zambas’ e ‘coplas’ numa outra língua, sutilmente descolada da original, e compreensível agora em qualquer tempo e lugar.
O próprio Aguirre compõe quase tudo o que toca e canta; quer dizer, a garimpagem e a tradução do passado já se dão dentro da música, tanto quanto na interpretação.
Ele só toca piano em quatro das 13 faixas. Pena, porque uma canção como ‘Zamba de Usted’ (Félix Luna e Ariel Ramírez) vale o disco sozinha. Não é apenas o controle de tom e tempo que impressiona, mas a intensidade afetiva, num ponto justo entre o natural e o sentimental.
Por outro lado, só o Aguirre compositor teria a coragem de silenciar o pianista, para que os violões acomodem mais a caráter a voz afinada e discreta do Aguirre cantor.
Os violões são tão bons que é preciso dar nome: Silvina López e Jorge Martí. Como pode um simples ‘rasgueado’ seco, para cima, concentrar tanta coisa? Tecnicamente: contratempo acentuado, na segunda colcheia do segundo tempo de um compasso ternário. Mas tente fazer para ver. E nem se falou das conversas entre os violões, e entre os dois e o excelente baixista Fernando Silva.
As letras (também de Aguirre) vêm acompanhadas de breves poemas, ou comentários, sugerindo as circunstâncias, ou imagens primais de cada música. Importa pouco se nem sempre chegam ao grau de despojamento certeiro da composição. A música reescreve a leitura noutro tom.
Para além de remediar minimamente nossa ignorância da música argentina, um disco desses conforta e faz bem. É uma lavagem inesperada do espírito. Um tônico do humor. Quem diria, um remédio latino! Vem a calhar para todos nós, há tanto tempo ruins da ‘cabeza’, tanto tempo doentes ‘del pie’.
Arthur Nestrovski, Folha de S.Paulo, 13/1/2003

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