Carlos Aguirre Grupo

Carlos Aguirre Grupo
O CD “Carlos Aguirre Grupo” marca o lançamento da parceria entre a Gravadora Núcleo Contemporâneo,o Instituto Casa Via Magia e o Mercado Cultural da Bahia, evento realizado anualmente em Salvador, voltado `a transmissão de conhecimentos, troca de idéias e distribuição de produção cultural.
Trata-se do primeiro CD de uma coleção que tem como objetivo apresentar obras representativas da atual produção musical latino-americana, firmando a presença desses artistas no Brasil e estreitando os laços culturais entre os criadores e produtores de nossa região.
Neste CD, o músico argentino Carlos Aguirre apresenta composições baseadas ou recriadas a partir de clássicos do folclore e tradições de seu país. Aguirre também canta, toca piano, guitarra e acordeon.Com seu grupo, formado por Silvina Lopez, Jorge Martí (guitarras) e Fernando Silva (baixo), une o som das diferentes paisagens argentinas, sem bloquear as fronteiras com outras músicas influentes. O grupo surgiu em 1999, diante da necessidade de compartilhar essa busca com profissionais que conhecem profundamente o espírito do repertório.
Um CD com o que há de melhor da produção atual da canção Argentina de raiz.
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Música
1- Los Tres Deseos de Siempre (Carlos Aguirre) 5:36
2- Zamba de Mancha y Papel (Carlos Aguirre) 4:21
3- Beatriz Durante (Carlos Aguirre) 2:22
4- Pedacito de Río (Carlos Aguirre) 1:19
5- Paloma y Laurel (Armando Tejada Gómez/César Isella) 4:23
6- Zamba de Usted (Félix Luna / Ariel Ramírez) 4:46
7- Pasarero (Carlos Aguirre) 2:21
8- Coplas de Cielo y Río (Carlos Aguirre) 2:21
9- Pedacito de Río II (Carlos Aguirre) 3:18
10- La Tarka (Carlos Aguirre) 4:19
11- Memoria de Pueblo (Carlos Aguirre) 4:39
12- La Espera (Carlos Aguirre) 2:21
13- Huella Mora (Carlos Aguirre) 4:31
Músicos
Carlos Aguirre
A tradição musical Argentina, rica em gêneros e estilos típicos (huaino, zamba, chacarrera e huella, entre outros),é o ponto de partida para as composições de Carlos Aguirre. Cantor, pianista, guitarrista, acordeonista e compositor, extrai do material popular e folclórico de seu país canções emotivas e tranqüilas apoiadas em sonoridade contemporânea ao incorporar elementos de outras músicas do mundo. É o próprio Aguirre que compõem quase tudo o que toca e canta. Sua simplicidade e refinamento ficam evidentes na forma delicada que conduz o violão e na voz discreta e afinada. Suas
letras são acompanhadas de breves poemas ou comentários que introduzem o espírito da música ao som do piano, guitarra e acordeom. Como compositor compõe peças para piano e também para teatro e curtas-metragens. Desde 2002 coordena o projeto “Compositores de nuestro país” que tem como convidados importantes músicos argentinos.
Junto com Luis Barbiero possui um projeto de gravadora independente.
Ficha TécnicaTechnique
Carlos Aguirre: voz, piano, teclado, acordeom, guitarra rítmica , bombo e percussão.
Silvina López: voz, guitarra esquerda.
Jorge Martí: guitarra direita.
Fernando Silva: baixo.
Quique Sinesi, Jorgelina Barbiero, José Luis Viggiano, Alfredo Arce, Luís Barbiero, Natalia Damadian e Angela Herrera: participação especial.
Produzido em 2000 por Shagrada Medra – Argentina.
Lançado em outubro de 2002 por Gravadora Núcleo Contemporâneo (São Paulo) e Instituto Casa Via Magia (Salvador ) – Brasil.
Imprensa
“Fazer música, às vezes, parece muito simples. Um violão, uma voz afinada, um bumbo. Canções que bebem na fonte antiga. Versos sobre a lua, ou sobre o sol; sobre o amor, a amizade, a memória.
Mas música simples é rara, e mais rara ainda quando combinada à delicadeza, como é o caso neste CD tão bonito do compositor, pianista e cantor argentino Carlos Aguirre.
Gravado em Entre Rios, em 1999, o disco sai no Brasil numa parceria entre o selo Núcleo Contemporâneo, o Instituto Cultural Casa Via Magia e o Mercado Cultural (grande feira internacional de produtores que acontece anualmente em Salvador). O lançamento não poderia ser mais oportuno, em tempos de prometida integração latina; é o primeiro de uma anunciada coleção de artistas latino-americanos.
’A quién no le gusta la zamba…’ bom sujeito não é, mas o fato é que a gente conhece muito pouco da música popular da Argentina. Gardel e Piazzola; Piazzola e Gardel. Há alguns anos, Mercedes Sosa entraria na lista; hoje, não mais. “Faltam tantos que, se faltar mais um, não vai caber”, diria Macedonio Fernández (pequeno grande nome da literatura argentina -que também se conhece pouco, embora não tão pouco quanto a música).
A simplicidade da música de Carlos Aguirre é de um refinamento tal que seria melhor usar outra palavra. São canções na segunda potência, atualizando ‘zambas’ e ‘coplas’ numa outra língua, sutilmente descolada da original, e compreensível agora em qualquer tempo e lugar.
O próprio Aguirre compõe quase tudo o que toca e canta; quer dizer, a garimpagem e a tradução do passado já se dão dentro da música, tanto quanto na interpretação.
Ele só toca piano em quatro das 13 faixas. Pena, porque uma canção como ‘Zamba de Usted’ (Félix Luna e Ariel Ramírez) vale o disco sozinha. Não é apenas o controle de tom e tempo que impressiona, mas a intensidade afetiva, num ponto justo entre o natural e o sentimental.
Por outro lado, só o Aguirre compositor teria a coragem de silenciar o pianista, para que os violões acomodem mais a caráter a voz afinada e discreta do Aguirre cantor.
Os violões são tão bons que é preciso dar nome: Silvina López e Jorge Martí. Como pode um simples ‘rasgueado’ seco, para cima, concentrar tanta coisa? Tecnicamente: contratempo acentuado, na segunda colcheia do segundo tempo de um compasso ternário. Mas tente fazer para ver. E nem se falou das conversas entre os violões, e entre os dois e o excelente baixista Fernando Silva.
As letras (também de Aguirre) vêm acompanhadas de breves poemas, ou comentários, sugerindo as circunstâncias, ou imagens primais de cada música. Importa pouco se nem sempre chegam ao grau de despojamento certeiro da composição. A música reescreve a leitura noutro tom.
Para além de remediar minimamente nossa ignorância da música argentina, um disco desses conforta e faz bem. É uma lavagem inesperada do espírito. Um tônico do humor. Quem diria, um remédio latino! Vem a calhar para todos nós, há tanto tempo ruins da ‘cabeza’, tanto tempo doentes ‘del pie’.
Arthur Nestrovski, Folha de S.Paulo, 13/1/2003


