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CD VITOR

Vitor Ramil

“Elegi a milonga como referencial para a busca de uma estética do frio por reconhecer nela um poder de desnudamento, de nos colocar em contato com o íntimo e o essencial” Vítor Ramil

délibáb, o novo CD e DVD de Vitor Ramil foi produzido em Buenos Aires/Argentina com gravações adicionais no Rio de Janeiro.

A palabra húngara délibáb vem de déli (do sul) + báb (de bába: ilusão). Seu significado é “miragem”. Vitor tirou a expressão de seu romance Satolep, em que o personagem Selbor volta para sua cidade natal trazendo na bagagem a imagem de um délibáb.

O disco é a reunião das milongas compostas por Vitor para os poemas do livro Para las seis cuerdas, do poeta argentino Jorge Luis Borges, e para os versos de João da Cunha Vargas, brasileiro natural do Alegrete, RS. Borges e Vargas estariam completando 110 anos em 2009 e 2010, respectivamente. O disco tem, portanto, um caráter de homenagem a esses poetas tão diferentes entre si, mas ao mesmo tempo tão representativos do imaginário do Sul, particularmente do Rio Grande do Sul.

No repertório, 12 milongas: Milonga de Albornoz, Milonga de los morenos, Milonga de dos hermanos, Un cuchillo en el Norte, Milonga de Manuel Flores e Milonga para los orientales (com Borges); e Chimarrão, Mango, Tapera, Deixando o pago, Pé de espora e Pingo à soga (com Vargas).

A produção é do próprio Vitor Ramil. Os arranjos são para voz e dois violões, de aço e de nylon. O violonista argentino Carlos Moscardini, o único músico convidado, toca em 11 das 12 faixas. Caetano Veloso é a participação especial, dividindo com Vitor os vocais de Milonga de los morenos.

As gravações aconteceram no estúdio Circo Beat, Buenos Aires, e foram documentadas em vídeo pelo argentino César Custodio. O resultado desse registro é o DVD dlb – délibáb documental, um documentário de 1:10h que mostra ensaios, sessões de gravação e mixagem, depoimentos, viagens ao Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro e visitas aos lugares em que os poetas viveram. Nos Extras do DVD, um clipe para a milonga Querência (música extra), versão ao vivo de Milonga de Manuel Flores, fotos e textos. O DVD sairá na mesma edição, encartado junto ao CD.

Músicas

1. Milonga de Albornoz (poema: Jorge Luis Borges / música: Vitor Ramil)
2. Chimarrão (poema: João da Cunha Vargas / música: Vitor Ramil)
3. Milonga de los Morenos (poema: Jorge Luis Borges / música: Vitor Ramil) > Part. Especial de Caetano Veloso.
4. Mango (poema: João da Cunha Vargas / música: Vitor Ramil)
5. Milonga de dos hermanos (poema: Jorge Luis Borges / música: Vitor Ramil)
6. Tapera (poema: João da Cunha Vargas / música: Vitor Ramil)
7. Un cuchillo en el norte (poema: Jorge Luis Borges / música: Vitor Ramil)
8. Deixando o pago (poema: João da Cunha Vargas / música: Vitor Ramil)
9. Milonga de Manuel Flores (poema: Jorge Luis Borges / música: Vitor Ramil)
10. Pé de espora (poema: João da Cunha Vargas / música: Vitor Ramil)
11. Milonga para los orientales (poema: Jorge Luis Borges / música: Vitor Ramil)
12. Pingo à soga (poema: João da Cunha Vargas / música: Vitor Ramil)

Músico

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Divulgação/Ana Ruth

Vitor Ramil

Compositor, cantor e escritor, o gaúcho Vitor Ramil começou sua carreira artística ainda adolescente, no começo dos anos 80.

Aos 18 anos de idade gravou seu primeiro disco Estrela, Estrela, com a presença de músicos e arranjadores que voltaria a encontrar em trabalhos futuros, como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar.

1984 foi o ano de A paixão de V segundo ele próprio. Com um elenco enorme de importantes músicos brasileiros, este disco experimental e polêmico, produzido por Kleiton e Kledir.

Em 1987, tendo trocado o sul do Brasil, Porto Alegre, pelo Rio de Janeiro, Vitor lançou Tango. Em oito canções o furor experimental e lúdico de antes cedeu lugar a letras densas e elaboradas de canções que viraram sucessos.

Na passagem dos anos 80 para os 90 Vitor afastou-se dos estúdios e passou a dedicar-se ao palco, pois quase não fizera shows até então. Foi quando nasceu o personagem Barão de Satolep, um nobre pelotense pálido e corcunda, alter-ego do artista.

Dividindo alguns espetáculos com esta figura ao mesmo tempo divertida e mal-humorada, mesclando música, poesia, humor e teatro, Vitor começava a consolidar seu público e a aperfeiçoar sua interpretação. Neste período não só definiu-se a música e postura do Vitor Ramil dos discos que viriam a ser gravados na segunda metade dos anos 90 como apresentou-se o Vitor Ramil escritor, através da novela Pequod, ficção criada a partir de passagens da infância do autor, de sua relação com o pai, de suas andanças pelo extremo sul do Brasil e pelo Uruguai.

Neste momento, significativamente, ele deixava o Rio de Janeiro para voltar a viver no Sul. Simultaneamente a Pequod aconteceu a gravação do cd À Beça. Tendo saído apenas como edição especial, em tiragem limitada, por uma revista de música de Porto Alegre, este disco representou seu primeiro esforço de realizar algo a partir das idéias da estética do frio. Com versos leves, cheios de coloquialidade, em melodias fluentes e inusitadas concepções rítmicas, o disco antecipava os dois próximos e mais importantes trabalhos: Ramilonga – A Estética do Frio e Tambong.

A reflexão acerca da identidade de quem vive no extremo sul do Brasil começa pela recusa ao estereótipo do gauchismo; o canto forte dá lugar a uma expressividade sofisticada e suave; instrumentos convencionais são substituídos por outros, como os indianos e africanos, nunca antes reunidos neste gênero de música. Pela contundência de suas idéias, pela originalidade de sua concepção, Ramilonga é uma espécie de marco zero na carreira de Vitor Ramil.

Tambong, seu trabalho seguinte, foi gravado em Buenos Aires, sob a produção de Pedro Aznar. Seu resultado é a confirmação da idéia de estar “no centro de uma outra história”, com a musicalidade e poesia brasileiras combinadas com as dos países do Prata a fluir naturalmente em quatorze temas cujos arranjos fazem deste um dos trabalhos mais originais da moderna música brasileira.

Em 2003 Vitor apresentou seu primeiro show solo em Montevidéu, Uruguai, Sala Zitarrosa, mesmo local onde tocara, no final de 2002, com o compositor e intérprete uruguaio Jorge Drexler, hoje seu parceiro. Ainda em 2003 apresentou-se com sua banda na Suíça, nas cidades de Genebra, Zurique e Schaffhouse. Em Genebra, no Teatro St. Gervais, Vitor deu uma conferência, tendo como tema “A estética do frio”. Em Paris, no mesmo período, participou do evento de lançamento da tradução para o francês de seu livro Pequod, pela editora L’Harmattan. Além de seu livro Pequod, suas canções vem sendo distribuídas na Europa em coletâneas inglesas, espanholas e portuguesas. Sobre Vitor Ramil escreveu o produtor londrino John Armstrong: “Why hasn’t this genious dominated the world of music yet?”

Longes, seu sexto álbum, também foi gravado em Buenos Aires e produzido por Pedro Aznar.

Em março de 2006 Vitor Ramil reuniu-se ao percussionista carioca Marcos Suzano em duo, para o qual Vitor compôs uma série de novas canções. Satolep Sambatown é o nome desse trabalho, que chegou às lojas de todo Brasil na primeira semana de setembro de 2007. Como o próprio nome indica, trata-se do encontro dos universos muito particulares desses dois artistas.

Satolep, anagrama de Pelotas, cidade natal de Vitor, que está presente de forma recorrente tanto em sua literatura como em sua música, é também o nome do selo através do qual ele costuma lançar seus discos. Sambatown, clara referência ao Rio de Janeiro, cidade natal de Suzano, é o nome do primeiro disco solo de Marcos Suzano e também de seu selo independente. Da Satolep de Vitor veio a “estética do frio”, com arpejos em cordas de aço, harmonias abertas, melodias hipnóticas, letras cheias de poesia. Da Sambatown de Suzano veio seu pandeiro único no centro de uma arquitetura rítmica em que sons acústicos dialogam com ondas sonoras vindas do mundo da eletroacústica.

O novo livro de Vitor Ramil, Satolep, está no prelo. Será lançado em breve pela editora Cosac Naify.

Críticas

Ficha Técnica

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Vitor Ramil

Lançamento: Satolep

Distribuição: Núcleo Contemporâneo

Apoio cultural: Banrisul

Preço pelo site: R$ 30,00

www.vitorramil.com.br