Saudações Egberto – Délia Fischer

Delia Fischer saúda Egberto Gismonti em disco patrocinado pelo Prêmio Sesc Rio de Fomento à Cultura
Desde pequena, Delia Fischer é devota dos álbuns de Egberto Gismonti. Dá para imaginar aquela garotinha com os elepês espalhados na cama, o som nas alturas, escutando repetidamente os lados A e B das bolachas. A menina cresceu e escolheu viver de música. Tornou-se uma pianista reconhecida, passou a compor e a escrever arranjos até que um belo dia resolveu cantar. Em 1999, calhou de trabalhar com Egberto. Ele produziu e lançou o álbum Antonio pela sua gravadora Carmo/ECM, que repercutiu no mundo. O nome do álbum foi escolhido por ele é uma homenagem ao filho dela.
Ali nascia a amizade entre os músicos. Delia Fischer sempre sonhou em revisitar a obra de Egberto Gismonti. Mas revisitar mesmo: vestir os temas com novos arranjos, encomendar letras para clássicos, carimbar com as suas digitais a produção do multiinstrumentista e compositor. Ganhar o Prêmio Sesc Rio de Fomento à Cultura, edição 2010, foi decisivo e esse Saudações Egberto que você tem em mãos é o resultado de um sonho. Não por acaso, “O sonho”, de 1969, foi escolhido para abrir o disco. “Foi ano da chegada do homem à lua. Apesar de tudo, a música continua atual. Sacha Amback participou lindamente fazendo um interlúdio eletrônico”, lembra ela, sorridente.
O lançamento foi feito em uma curta temporada na Arena do Espaço SESC, em Copacabana, entre os dias 22 e 26 de junho. No show, Delia é acompanhada por Pedro Guedes (violão, baixo e violão tatu), Pedro Mibielli (violino, cellolino, bandolim, guitarrinha e rabeca) e Naife Simões (percussão, bateria, flugelhorn e percussão vocal) – ou seja, a mesma banda do estúdio, por onde ainda passaram Paulinho Moska e o homenageado, Egberto Gismonti. Moska canta com ela a faixa “Um outro olhar / (Pêndulo)”, cuja letra foi encomendada a Ronaldo Bastos especialmente para o disco, e Egberto toca o seu violão de dez cordas na faixa-título, parceria dele com Paulo César Pinheiro.
Para escolher o repertório, Delia escutou novamente todos os discos do mestre, “que são ainda incrivelmente atuais e instigantes e me fizeram querer tocar, compor e entrar no universo musical, com a grande vantagem de poder agora realizar com maturidade e colocar um pouco da minha própria visão”. Ela dedicou especial atenção à primeira fase da produção musical do compositor, a mais “popular”, dos anos 1970 e 1980, quando ele usava fartamente o formato canção, com letra ou instrumental. “Egberto é um músico que possui todas as ferramentas para a criação de obras sinfônicas, canções e ainda tem o dom da improvisação, como os grandes mestres do século XIX. Isso tudo aliado a seu profundo conhecimento da música universal e mantendo o foco no Brasil”, diz.
Biografia
Compositora pianista, cantora e arranjadora, a carioca Delia Fischer iniciou-se no piano com a professora Salomé Gandelmann, em 1977. Estudou com Guerra Peixe e Luiz Eça. A carreira profissional começou no final da década de 80 com o Duo Fenix, ao lado de Cláudio Dauelsberg. A dupla percorreu as principais capitais do Brasil e da Europa, entre 1988 e 1990, participando de festivais de jazz. O Duo se desfez na década de 90. De lá pra cá, Delia atuou em diversas aéreas relacionadas à música. Ministrou workshops de piano popular e improvisação no Brasil e no exterior. Participou de shows e gravações de discos com artistas como Toninho Horta, Ed Motta, Robertinho Silva, Nivaldo Ornelas, Bob Baldwin, Thiago de Mello, entre outros. O primeiro disco solo, Antonio (Carmo/ECM), produzido por Egberto Gismonti, foi lançado na Europa, em 1999. Recentemente, Delia se dedicou à música no teatro, onde fez a orquestração de 7 – O Musical, de Charles Moeller e Claudio Botelho, com trilha original de Ed Motta. Da mesma dupla de diretores, fez os arranjos do musical Beatles num céu de diamantes, sendo contemplada, junto com Jules Vandystadt, com o Prêmio Shell 2009 na categoria música. Ainda nas artes cênicas Delia fez direção musical e arranjos para o espetáculo Era no tempo do Rei, baseado no livro homônimo de Ruy Castro, com direção de João Fonseca e músicas de Carlos Lyra e Aldir Blanc. Atualmente, Delia também faz parte da banda do novo projeto da cantora Ana Carolina, Ensaio das Cores.








