Tocando para o Interior – Nailor Proveta

Nailor Proveta

O título Tocando para o interior tem dois sentidos. Primeiro, a volta de Nailor Proveta ao interior, a Leme (SP), cidade onde nasceu e principal responsável pela sua formação musical. Depois, a volta ao interior de cada músico que o ajudou a construir a sua história como artista, quase todos presentes no CD. “Esse disco é resultado do que sou essencialmente e também uma forma de retribuir a música que venho recebendo de mestres e amigos durante todos esses anos. É como se eu estivesse devolvendo a eles aquilo que recebi na infância e que ainda faz parte da música que faço hoje”, diz Proveta.
No trabalho, Proveta quer reviver a intimidade musical do interior e o começo de sua história. “Não quero negar esse lado, comecei como músico do interior e acho isso um privilégio. É claro que o disco também passa por São Paulo, mas o coração dele está numa banda de coreto tocando numa praça de Leme”, afirma. Ao mesmo tempo, o clarinetista não quer que o disco seja visto apenas como um trabalho saudosista. Apesar de sempre dialogar com gêneros musicais ligados ao passado, o CD traz em algumas faixas harmonias sofisticadas, dando novas informações a composições mais tradicionais.“É como se o disco fizesse uma caminhada de Leme a São Paulo. Aos poucos ele vai se urbanizando, sem perder o contato com o espírito rural. Talvez apenas três ou quatro faixas tenham uma sonoridade mais próxima da composição original”, afirma Mais da metade do repertório de Tocando para o interior é composto de valsas, mas o CD tem choros, maxixes, além de um dobrado (Mestre Hary) e uma modinha (Quem sabe), esta última do compositor Carlos Gomes. De caráter camerístico, o disco busca a generosidade dos homenageados, artistas que sempre contribuíram e ainda contribuem com a música à qual Proveta é ligado. Homenagem ao pai, que toca acordeon em duas valsas (Chorando e Norma); a Ângelo Consentino, autor de Chorando, maestro da banda de Leme na virada do século XIX; ao mestre Hary, hoje 74 anos, e sucessor de Consentino; e ao amigo Maurício Carrilho, no choro Proezas do Maurício, entre outros.Nem todas as músicas de Tocando para o interior são de autoria de Proveta. Cadeiras na calçada, por exemplo, é de Edson Alves, seu companheiro na Banda Mantiqueira; Tô chegando, é um choro de Laércio de Freitas, homenagem ao filho de Proveta, Emmanuel, hoje com oito anos; além da modinha Quem sabe, de Carlos Gomes.

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MúsicasTracks

1- Olhando a Banda da Calçada (Nailor Proveta) 3:39
2- Seu Geraldo (Laércio de Freitas) 5:31
3- Proezas de Maurício (Nailor Proveta) 3:17
4- Quem Sabe (Carlos Gomes)
5- Chorando (Maestro Ângelo Cocentino) 7:14
6- Prantos (Izaías de Almeida) 4:55
7- Valsa para uma Flor (Nailor Proveta) 5:04
8- Pedrinho no Coreto (Nailor Proveta) 4:26
9- Pra Vitória (Nailor Proveta) 3:53
10- Cadeiras na Calçada (Edson José Alves) 4:51
11- Nas Graças de Emmanuel (Nailor Proveta) 4:25
12- Norma (Nailor Proveta) 5:01
13- Mestre Hary (Nailor Proveta e Iara Azevedo) 5:15

Imprensa

Há semanas não paro de ouvir o CD “Tocando para o Interior” do Nailor Proveta. Coisa mais linda, mais linda!  Luis Nassif (Blog do Luis Nassif) O saxofonista, clarinetista e compositor, Nailor Proveta, também líder da ótima Banda Mantiqueira, faz um belo passeio por choros, valsas, maxixes em seu primeiro disco solo, que sai por outro selo fundamental para o instrumental braisleiro, Núcleo Contemporâneo.
A.C.M., O Globo

Nailor Proveta toca para a alma em seu primeiro álbum solo. Volta-se para seu interior que mesmo sem querer, acaba refletindo também o de todos nós.
Lívia Deodato, O Estado de São Paulo

“Eu queria fazer um disco  que tivesse uma carga de emoção verdadeira. Mas como é que eu tocaria hoje, uma valsa ou um dobrado? Um bolo só acontece se você usar os ingredientes certos e equilibrados”, explica Proveta referindo-se ao cuidado de atualizar esses gêneros mais clássicos sem descaracterizá-los.
Carlos Calado,  Folha de S. Paulo

Músico

Nailor Proveta

O genial Proveta é considerado um dos maiores instrumentistas de sopro do Brasil. Saxofonista e clarinetista, é protagonista de um enorme currículo como instrumentista, arranjador e líder de grupos. Sempre é convidado para participar de oficinas, cursos e seminários de música por todo o país. Natural de Leme, interior do estado, toca desde criança. É bacharel em saxofone (1992). Já acompanhou alguns dos mais importantes artistas brasileiros e internacionais, entre cantores e instrumentistas. É líder da Banda Mantiqueira, a “big band” mais conhecida de São Paulo.

Todas as faixas de Tocando para o interior

As gravações de Tocando para o interior começaram em 2004 e só terminaram em 2006. Fora a modinha de Carlos Gomes, do século XIX, o disco traz músicas que cobrem um período de 30 anos. De 1971 (o dobrado Mestre Hary) até Nas graças de Emmanuel, maxixe de 2003.

O CD abre com a valsa Olhando a banda da calçada (Proveta), homenagem ao trompetista Trípolli Donadel, da banda de Leme. “Ele costumava ficar olhando a banda passar”, diz Proveta. De harmonia sofisticada, a faixa tem a participação do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo;

Tô chegando, choro de Laércio de Freitas em homenagem ao filho de Proveta. Laércio faz duo com Proveta;

Choro do Isaías, Procurando encrenca, com o regional de Isaías;Proezas do Maurício, choro de Proveta em homenagem a Maurício Carrilho. Participação do Regional de Isaías, com Toninho Carrasqueira (flauta) e Teco Cardoso (sax barítono), entre outros;Quem sabe, modinha de Carlos Gomes, tem, além do clarinete de Proveta, Benjamim Taubkin (piano) e Mônica Salmaso (voz);

Pra Vitória é uma valsa camerística composta por Proveta para a filha, em 2003. Destaque para Beto Salvador (piano) e Toninho Ferraguti (acordeon);

Nas graças de Emmanuel, maxixe de Proveta, tem o Regional de Isaías e o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo;

Valsa para uma flor é uma valsa camerística composta por Proveta pra sua mãe. Participações de Toninho Ferraguti (acordeon) e Carrasqueira (flauta), entre outros;

Cadeiras na calçada, de Edson José Alves, é outra valsa camerística. Tem Maíra Alves (violino) e o próprio Edson Alves no violão, além de Toninho Carrasqueira (flauta) e Toninho Ferraguti (acordeon);Chorando, valsa do maestro Ângelo Consentino, tem o Regional do Isaías juntamente com o acordeon de Geraldo Azevedo, pai de Proveta;

Norma, valsa de Proveta composta no início dos anos 70, em homenagem à sua professora de Leme. Nessa faixa, o artista toca com as irmãs Iara (clarinete) e Silvana (sax), além do pai Geraldo Azevedo (acordeon), Israel de Almeida (violão de 7 cordas), Edmilson Capelupi (violões) e Haroldo Capelupi (cavaquinho);

O disco fecha com o dobrado tradicional, Mestre Hary. A faixa tem participação de 40 músicos da banda Mantiqueira, naipe de clarinetes da Banda Sinfônica de São Bernardo, além de Toninho Carrasqueira (pícolo) e Teco Cardoso (flauta), entre outros convidados. E foi gravada ao vivo.

Ficha técnica

Produzido por Nailor Proveta e Benjamim Taubkin
Assistente de produção: Márcia Duarte
Direção Musical: Nailor Proveta
Gravado por André Magalhães no Estúdio Zabumba, entre 2004 e 2005
Assistentes: Felipe Julian e Felipe Magalhães
Gravação das faixas “Norma” e “Mestre Hary” por Daniel Lourenço no Nosso Estúdio Som e Imagem em setembro de 2005.
Assistente: Daniel Arroyo
Mixado por Ricardo Mosca no Estúdio Mosca em 2006.
Masterizado por Carlinhos Freitas no Classic Master
Projeto Gráfico: Teresa Maita
Tratamento de imagens: Rogério Azevedo
Fotos na Sala São Paulo de Teresa Maita e Benjamim Taubkin; foto do Proveta recortado de Gal Oppido; e fotos restantes foram gentilmente cedidas por Sr. Hary Bacciotti.