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	<title>Núcleo Contemporâneo</title>
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		<title>JazzAhead!</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jun 2012 17:50:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Sou convidado para fazer parte da comissão que escolherá os grupos para uma das noites do Jazzahead! overseas – que apresenta músicos de outros continentes que não o europeu. Em troca, o festival convida para acompanhar a edição, bancando metade dos custos. Decido ir. Em geral, os encontros que participo são aqueles conhecidos como música [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-2772" title="jazzahead2010" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2012/06/jazzahead2010.jpg" alt="jazzahead2010" width="500" height="431" /></p>
<p>Sou convidado para fazer parte da comissão que escolherá os grupos para uma das noites do Jazzahead! overseas – que apresenta músicos de outros continentes que não o europeu. Em troca, o festival convida para acompanhar a edição, bancando metade dos custos. Decido ir. Em geral, os encontros que participo são aqueles conhecidos como música do mundo, e é a primeira vez que vou a um dedicado ao jazz, embora todos estes termos se diluam perante a música. O jazz da Estônia, quando bom, é musica estoniana. Quando muito americano, feito por músicos estonianos, perde o interesse.</p>
<p><span id="more-2771"></span>O encontro acontece em Bremen, cidade alemã. Por questões de custo e principalmente de curiosidade, resolvo ir por Istambul, por uma companhia aérea turca, assim posso ficar um dia em Istambul, que não conheço e sempre quis conhecer. Me informo quanto ao melhor lugar para poder aproveitar um dia na cidade, ou seja, que seja fácil do aeroporto e próximo de alguma região interessante da cidade.</p>
<p>Fico na praça Taksim. Encontro um bom apart hotel por 50 euros e embarco em uma viagem que dura algumas horas, mas que pra mim é profundamente encantadora.</p>
<p>Dou sorte, ao lado do hotel fica a principal rua de pedestres, talvez a rua mais movimentada que vi. Larga, um calçadão, mas com infinitas pessoas caminhando à noite, lojas abertas até às 22h, e aqui de novo sinais da globalização: as mesmas grifes dos EUA ou outros países Europeus. Mas no meio delas, há comercio local com restaurantes, cafés, lojas e CD (baratos e ainda muito vivos). Entro em um café livraria e encontro coisas ótimas, DjivanGasparian, KurdsiEderguner, ArtoTunboyaçian, todos grandes músicos, 13 reais cada CD.</p>
<p>Outro feliz acaso, é que no final desta rua há inúmeras lojas de instrumentos. Entro em uma como duduks, zarbs e uma infinidade de instrumentos locais. Acabo ficando com um duduk, depois de claro, negociar o preço, um esporte local.</p>
<p>À noite, não consigo dormir, pois meu quarto fica no primeiro andar. Na rua, conversas altas, som eletro a noite toda. Às 5h da manhã uma súbita e inesperada mudança de clima. Sai o eletro e entra o canto religioso, alto, mas sinto um imenso alivio.  Às 7h da manhã já estou na rua de novo pra ir ao Gran Bazar, um lugar incrível, um mercado antigo, imenso,  com uma manutenção mais sofisticada que muito shopping Center. Tudo muito limpo, com telas de plasma informando horários e notícias.</p>
<p>Daí sigo para o aeroporto e em seguida, Bremen, Alemanha. Chego direto para o concerto do Trio Corrente, na Overseas Night do JazzAhead!. Um lindo concerto, sala cheia. Uma bela apresentação de Fábio Torres, Paulo Paulelli e Edu Ribeiro. Em seguida, uma bela performance do harpista colombiano Edmar Castanera.</p>
<p>A feira é igual a todas as outras, stands de gravadoras, artistas. Confesso que não curto muito este formato. Acho sempre um pouco constrangedor a música e artistas oferecidos como produto desta forma. Fico sempre achando que deveríamos criar algo mais inteligente.   As pessoas muito gentis, um clima tranqüilo. Alguns shows, free jazz, tradicional, um pouco de tudo. Vou atrás de CDs, interessado na produção atual de vários países, o que mais me encanta, de longe, é a produção da Estônia. Música criativa, original, bem gravada.</p>
<p>Algo curioso no mundo, quanto menor o mercado, mais criativa a música, já foi diferente, mas nos últimos anos descobri artistas incríveis da Eslováquia, Turquia, Colômbia, Venezuela. Pouca coisa inesperada nos EUA, Inglaterra, França, claro que há, mas não em profusão.</p>
<p>Bremen é uma cidade bem bonita, parques, construções antigas preservadas, mas é claro que o que fica na cabeça e no coração é Istambul.</p>
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		<title>República Dominicana</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jun 2012 14:52:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de Bordo]]></category>
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		<description><![CDATA[Sigo minha viagem para Santo Domingo para o encontro da ADIMI- rede de músicos e produtores da América Latina. Não tenho a mínima ideia do que vou encontrar. Do Caribe, não conheço quase nada, apenas Cuba. E claro, as imagens dos postais e cadernos de turismo.
Também sei que a República Dominicana compartilha a ilha com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sigo minha viagem para Santo Domingo para o encontro da ADIMI- rede de músicos e produtores da América Latina. Não tenho a mínima ideia do que vou encontrar. Do Caribe, não conheço quase nada, apenas Cuba. E claro, as imagens dos postais e cadernos de turismo.</p>
<p>Também sei que a República Dominicana compartilha a ilha com o Haiti, mas não exatamente o mesmo destino trágico.</p>
<p>Quem organiza o encontro é Freddy Ginebra, escritor e agitador cultural, também proprietário de uma agência de publicidade e que dirige a Casa de Teatro, por ele fundada há 37 anos. O conheci em Medellín, no ano passado. É uma pessoa pra lá de interessante, carismático e com um humor muito particular.</p>
<p><span id="more-2768"></span><br />
Na verdade o que me trouxe a República Dominicana foi o desejo de conhecer melhor o seu trabalho, além de claro, estar em um lugar novo, com tudo o que isto implica &#8211; gente, sons, paisagens, gostos e odores. Como vivo neste momento a experiência de dirigir um pequeno centro cultural, Casa do Núcleo, fico também querendo ter contato com iniciativas similares.</p>
<p>Chego de uma escala no Panamá e desembarcando sou convidado a ir direto a sala vip, nunca havia passado por esta experiência. Em seguida ao hotel, aonde rapidamente deixo a mala e me dirijo a Casa de Teatro para um jantar inaugural do encontro. E o lugar ferve, clima festivo pela alegria do encontro de músicos, produtores e programadores musicais de todo o continente.<br />
Freddy conduz tudo como um feliz “jedi”, nos saúda em alto som, anunciando que a incrível orquestra de travestis acaba de chegar, encantado com a presença de todos, vai introduzindo-nos de sala em sala em seu universo mágico, que termina em um terraço, aonde descalços, fazemos um pedido e tomamos um trago do ótimo “Ron” local.  Pronto, estamos iniciados.</p>
<p>Tudo vai se misturando, trabalho, contos, estórias e muito humor. Um dos objetivos deste encontro é apresentar, a todos os profissionais dos países convidados, uma mostra da produção musical dominicana. Nisto consiste o primeiro dia.</p>
<p>Passamos a manhã conversando com os grupos e solistas locais, recebendo seus materiais, CDs e DVDs. Sabendo que pela quantidade de trabalho que sempre me espera, se eu deixar para ouvir na volta, não o farei, termino por escutar a maior parte no mesmo dia no hotel e me defronto com uma produção que, embora bastante eficiente, ainda não encontrou, no campo da música urbana contemporânea, uma identidade clara; e que repete em grande parte, modelos da indústria.  Alguns poucos trabalhos se destacam.</p>
<p>No almoço vamos a um ótimo restaurante, como tudo o que nos proporciona a cada instante nosso anfitrião.  Ele anunciando uma surpresa, reserva uma cadeira, em poucos minutos, surge Juan Luis Guerra, o mais conhecido artista dominicano, que começou sua carreira no espaço de Freddy.<br />
Tranqüilo conversa com todos, especialmente sobre música e tira infinitas fotos com cada um, não é fácil ser uma estrela, mas ele o faz com paciência e gentileza.</p>
<p>À noite assistimos a um concerto de um dos mais talentosos músicos locais, “El Prodígio”, que toca a “gaita de ponto” ou o “pé de bode”, como é conhecido no nordeste brasileiro, um instrumento com recursos limitados, fundamental na música tradicional local. O “perico” que é o merengue mais tradicional com sanfona, tambora e guira, um recoreco nativo.</p>
<p>Seu projeto busca relacionar este universo com o jazz, em uma formação que inclui piano, baixo, sax, bateria, guitarra e congas, funciona bem em diversos momentos, mas é tocando o autêntico “perico” que “El Prodígio” se destaca.  Em seguida na Casa de Teatro se apresenta Victor Victor, com seu quarteto, um bom projeto de “bachata”, com um excelente guitarrista e um bom baixista.</p>
<p>Na Repúplica Dominicana duas correntes se destacam: o merengue, que ganhou o mundo e a bachata, um bolero mais rápido, também criação dominicana. O merengue se desenvolveu em várias direções, desde o mais brega possível até aquela quem tem um acabamento melódico, harmônico e rítmico mais interessante, porém o que encontro de mais musical em CDs, são as gravações mais antigas até década de 70, 80, o que inclui Johnny Pacheco.</p>
<p>Passamos o dia seguinte em reunião no Centro Cultural de Espanha com os membros da rede. Varias propostas de circulação de grupos musicais, e trocas de informação na web são debatidas. Discutimos questões como identidade, e mercados autônomos. É um bom grupo e as conversas avançam de forma colaborativa. As diferentes visões vão se encaixando, não há conflitos.</p>
<p>À noite, uma amostra ao vivo dos grupos que encontramos no dia anterior. Uma cantora se destaca: Pat Pereira.</p>
<p>No sábado, Freddy tira mais uma da cartola, uma viagem até a ilha de Samoa, boa parte, pelo mar. Vamos de ônibus até La Romana, uma rica cidade de veraneio; e todos me dizem: “não é a realidade local”. Aonde se encontra um hotel-resort e também um centro cultural com museus e uma das melhores escolas de design do mundo. Um teatro romano ao ar livre com capacidade para seis mil pessoas, palco de grandes nomes da indústria.  Já passaram Sting, Santana, Sergio Mendes, Luciano Pavarottie assim por diante. Tudo construído pelo presidente da GulfEastern, que nos anos 50, 60 se apaixonou pelo país. Apesar de construções com arquitetura local, e grande vegetação, tem uma atmosfera um tanto artificial.</p>
<p>Dalí embarcamos de barco até a ilha. É um passeio incrível pelo mar caribenho, água translúcida e praias quase desertas, pois todas as ilhas são reservas florestais, banhos de mar, peixe, frutas, cerveja, “Ron”, ótimas conversas com Gerry, mexicano, músico e produtor do selo Intolerância, e Alejandro, um escritor cubano, casado com uma coreografa, cujo belo trabalho, nós iremos assistir esta noite.</p>
<p>Vão-me aclarando todas as perguntas que sempre tive em relação a Cuba. Apesar de ter estado lá, tocado e convivido com músicos cubanos, vários pontos para mim sempre permaneceram obscuros e vou entendendo os limites de cada regime político. Voltamos de catamaram, compartilhamos o barco com um grupo de turistas alemães que passam boa parte da viagem dançando com guias locais, algo muito próximo do nosso axé. Surreal estar em um mar tão lindo com uma música destas, não há o que fazer.</p>
<p>Seguindo em mais conversas, com uma linda paisagem de fundo, vou conhecendo a história dos dominicanos e a terrível saga de um povo que foi dominado durante 30 anos, de 30 a 60, por um ditador, Truijo, cuja crueldade e ambição parecem superar qualquer ficção.</p>
<p>Em nossa permanência em Santo Domingo ficamos no bairro colonial, casas, igrejas muito antigas e em boa parte, preservadas. Ali está a primeira catedral das Américas; é aonde Colombo desembarcou. A primeira cidade fundada por europeus em todo o continente, casas de 500 anos estão em ótimas condições, incluindo aquela aonde seu filho e neto, viveram.</p>
<p>História e lendas vão se misturando. Em toda a cidade, poucos prédios e com alturas baixas, muitas casas, o que a torna muito agradável e em certos, locais bem bonitas.</p>
<p>Domingo, passamos &#8211; mexicanos e brasileiros (mais dois estão no encontro: Thales do fora do eixo de Minas e da Abrafin, e Marcelo do Festival Rasgun, Pará) &#8211; sentados em diferentes mesas pelo bairro, conversando e trocando experiências. Às 18h vamos a um dos eventos mais simpáticos da cidade, músicos se reúnem em uma das ruínas a céu aberto, e tocam som cubano e merengue; festa de rua com tudo o que tem de bom, dança, boa convivência, velhos, crianças.</p>
<p>Na segunda, vou conhecer a casa do Brasil, um centro cultural nos moldes da aliança francesa. Cris que cuida do local é também poetisa, e muito gente boa, que vive já há quatro anos na ilha e é uma ótima ponte e referência para qualquer brasileiro que por ali passe.   De lá vou caminhando até o centro e vou me surpreendendo com o que vejo uma cidade grande com movimentação intensa de carros e pedestres. Tem uma praça cultural no caminho, com vários equipamentos, museus, teatros em prédios suficientemente grandes.</p>
<p>Meu objetivo é a Livraria Cuesta, que me recomendaram, e de fato vale a pena. É uma destas grandes livrarias, com uma ótima seleção de títulos, onde encontro vários sobre música dominicana e latina em geral, dos quais compro alguns para termos na Casa do Núcleo.</p>
<p>À noite, dois acontecimentos interessantes, um encontro de poesia na casa de teatro, onde jovens poetas declamam e compartilham suas visões em comentários abertos.</p>
<p>Mais tarde vou à residência do Embaixador brasileiro, que é também um pianista. Sentamo-nos à mesa e é sempre uma boa conversa, com alguém que já viveu e trabalhou em países como Angola, Peru, Estados Unidos, além do mais sendo músico e adorando também Radamés Gnatalli, um dos meus ídolos.</p>
<p>A República Dominicana reflete a injustiça social do continente. Pobreza e riqueza se misturam. Parece que em vários bairros falta água e luz a noite, o que com este calor não é brincadeira. Pela zona colonial se pode caminhar tranqüilo, inclusive à noite, ao menos assim senti.  Muitos haitianos vivem no país, é a mão de obra barata local. Curiosamente de 1820 poucos a 1840 e tantos o Haiti dominou a ilha. Assim os dominicanos comemoram o dia da independência, como sendo aquele em que se libertaram dos haitianos e não dos espanhóis.</p>
<p>A vida dá voltas.</p>
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		<title>Coreia &#8211; visita em 2011</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 00:24:07 +0000</pubDate>
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Em fevereiro deste ano (2011), estive na Coréia. Foi a segunda vez que estive lá. A primeira aconteceu em 2009, quando apresentamos o projeto Cantos do Nosso Chão, com o Núcleo de Música do Abaçaí na ilha de Jeju. ao sul da Coreia.

Fui convidado desta vez para uma residência com jovens músicos tradicionais coreanos, junto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-2754" title="Coreia" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2012/06/Coreia.jpg" alt="Coreia" width="500" height="375" /></p>
<p>Em fevereiro deste ano (2011), estive na Coréia. Foi a segunda vez que estive lá. A primeira aconteceu em 2009, quando apresentamos o projeto Cantos do Nosso Chão, com o Núcleo de Música do Abaçaí na ilha de Jeju. ao sul da Coreia.</p>
<p><span id="more-2753"></span></p>
<p>Fui convidado desta vez para uma residência com jovens músicos tradicionais coreanos, junto com artistas vindos da Índia e Áustria. Nos encontramos todos em Seul, em torno de 35 pessoas.</p>
<p>Nos dirigimos ao sul, para a região de Jinjo, onde passaríamos cinco dias em um local criado para este fim, com quartos, refeitório e salas especiais para oficinas.</p>
<p>Jinjo é onde se concentram os mestres da música tradicional coreana. Já na primeira noite vamos a uma aldeia, onde alguns deles estabeleceram um pequeno centro para preservação e divulgação da sua cultura.</p>
<p>Realizam apresentações e convidam os visitantes a participarem. São pessoas de origem humilde: camponeses, artesãos. Mas com uma grande dignidade, beleza e orgulho pelo seu legado.</p>
<p>Têm uma clara noção de sua história e dos caminhos globais da cultura. Um deles relata que esta arte sempre sofreu pressão dos movimentos de fora. Primeiro o Japão e depois a indústria cultural ocidental.</p>
<p>O governo coreano passou a valorizá-la quando ao organizar a olimpíada de Seul (em 1988), se deu conta que não tinha nada próprio para mostrar ao mundo, e por isso decidiram a difundi-la e a se preocupar com a sua preservação.</p>
<p>De todas as formas é uma arte quase marginal, em seu próprio país. Baseada principalmente no universo dos xamãs &#8211; sofre uma resistência da igreja evangélica, professada por algo em torno de 50% da população.</p>
<p>É também vítima do projeto de desenvolvimento por que passa a Coreia, cuja população se mostra cada vez mais atraída pela cultura ocidental.</p>
<p>A organização das cidades também reflete esta opção. São infinitos prédios que se espalham por subúrbios e cidades periféricas, e ao longo das estradas vamos encontrando nuvens destes condomínios com 50, 60 edifícios iguais.  E na mesma quantidade os vemos em construção.</p>
<p>O centro de Seul parece ser um dos poucos lugares que ainda preserva a arquitetura tradicional. Mescladas as avenidas modernas, inúmeras ruas têm ainda o clima que esperamos encontrar nestes lugares: pequenos restaurantes, templos, casas antigas, barracas de comida nas ruas.</p>
<p>O hotel onde fiquei em Seul, está localizado ao lado de um grande templo budista. A visita a este templo é um dos momentos mais significativos desta viagem.</p>
<p>Mas voltando à música &#8211; ela tem um ritmo complexo. Fortes cantos e uma boa dose de improvisação. Descobri um pouco dessa música a partir de um documentário realizado por uma musicista australiana, Emma Franz, que acompanhou em sua jornada um baterista, também da Austrália, que sai em busca de um mestre desta tradição, que havia escutado em uma gravação e que o havia fascinado.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-2755" title="Coreia_1" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2012/06/Coreia_1.jpg" alt="Coreia_1" width="500" height="375" /></p>
<p>Este documentário &#8211; Intangible Asset nº 82 &#8211; foi apresentado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2008, e foi uma revelação para mim, de um universo musical desconhecido.</p>
<p>Neste encontro a presença de jovens instrumentistas locais, todos com excelente nível. E também os músicos da Áustria e Índia. Temos assim ingredientes bastante interessantes para uma boa mistura. E é o que acontece. Formamos 4 grupos, cada um coordenado por um dos estrangeiros. Os próprios jovens coreanos escolhem em qual grupo querem ficar. O que funciona bem. Em meu,  5 músicos com os quais crio de imediato a maior conexão. Passamos dias de harmonia, com trocas e descobertas mútuas.</p>
<p>Mais duas visitas aos mestres tradicionais acrescentam muito a este encontro. São bem humorados; dançam muito e ficam enchendo nosso copo a cada 5 minutos. Não tenho dúvida que querem saber o limite da nossa sobriedade; mas é tudo muito alegre, generoso. Poucas vezes me senti tão em casa em algum lugar.</p>
<p>Sofro um pouco com a alimentação no café da manhã, pois na Coréia, as três refeições diárias são iguais. Muita carne, arroz feijão&#8230; Não desce. E pão nem sempre tem. Quando descobrem que tenho este hábito, no fim da estadia, me compram quilos de pão. São anfitriões preocupados. Mas a comida local é muito diversa e para mim saborosa &#8211; desta forma funciona no almoço e jantar &#8211; um tanto apimentada, mas com imensa variedade de verduras e legumes.</p>
<p>Na volta a Seul, paramos em uma cidade vizinha e nos apresentamos em um centro cultural local.  Neste espaço  se junta a nós um grande músico &#8211; e alguns bailarinos da dança contemporânea, que improvisam em cada uma das apresentações.</p>
<p>E em Seul voltamos a nos apresentar em um  centro cultural, o resultado desta residência.  No jantar de despedida , muito afeto trocado entre todos, regados a soju, a bebida de soja local com um teor razoável de álcool. Vamos até alta madrugada.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-2756" title="Coreia_2" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2012/06/Coreia_2.jpg" alt="Coreia_2" width="500" height="375" /></p>
<p>No dia seguinte, no aeroporto , a caminho de Recife, inundam a minha caixa postal  e facebook com mensagens de afeto e relatos da nossa experiência.</p>
<p>Difícil pensar em algo mais valioso.</p>
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		<title>Panamá &#8211; Minha breve viagem a Cidade do Panamá</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jun 2012 00:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou a caminho da República Dominicana &#8211; Santo Domingo, para um encontro da ADIMI &#8211; Associação para o Desenvolvimento da Indústria da Música Ibero-Americana.
E como, na maior parte das vezes em que fui para América Central, e outras ao norte da América do Sul, o vôo que embarco passa pelo aeroporto do Panamá, aonde a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou a caminho da República Dominicana &#8211; Santo Domingo, para um encontro da ADIMI &#8211; Associação para o Desenvolvimento da Indústria da Música Ibero-Americana.</p>
<p>E como, na maior parte das vezes em que fui para América Central, e outras ao norte da América do Sul, o vôo que embarco passa pelo aeroporto do Panamá, aonde a Copa Airlines  faz escala e distribuí vôos para todo o continente. É de fato um hub. Das outras vezes fiz diretamente a conexão e a minha única experiência na cidade panamenha foi o próprio aeroporto, que é um razoável shopping center, e  que aproveita o trânsito frenético de passageiros, e a ilusão latino-americana de a preços razoáveis, comprar, comprar, comprar&#8230;</p>
<p><span id="more-2751"></span></p>
<p>Assim, sempre ficou o desejo de conhecer a cidade que, a cada vez contemplo do avião na chegada, com seus inúmeros prédios na costa, e que lhe dá ao menos de cima, a impressão de um centro cosmopolita. Somado àquela sensação de estar preso no aeroporto, o que de certa forma nunca é agradável: Aquele sentimento de não lugar que estas situações provocam.</p>
<p>Por conta disto,  desta vez planejei a permanência de um  dia na cidade.</p>
<p>Fiz a reserva de acomodação pela internet e descubro um dia antes que o hotel que havia reservado com uma semana de antecedência, não ficava exatamente no centro, como dizia o site da agência &#8211; e sim a meio caminho entre o aeroporto e o centro &#8211; o que não foi de todo mal -, e ao lado de um grande shopping center  (realmente grande).</p>
<p>E creio que a shopping centers se vai principalmente resumir a minha experiência na cidade.</p>
<p>Já no aeroporto  fica claro que é necessário negociar o preço do taxi; ônibus ninguém recomenda quando se está com mala. São daquelas jardineiras, com pouco espaço para se locomover.</p>
<p>Chego no hotel às 10 da manhã &#8211; minha reserva não está -, mas dão um jeito. Descubro que há uma taxa obrigatória de 10%. E assim vai se passando a minha vivência aqui&#8230; De um aplique a outro.</p>
<p>Como sempre, animado e curioso, quero ir ao centro. Pergunto à recepcionista do hotel que lugar ela me recomenda para saltar do taxi, assim que chegasse ao centro. Claro que me recomenda um shopping; pego o taxi e novamente tenho que negociar o preço, pois não há taxímetros em nenhum veículo. Cá entre nós como turista de um dia em um lugar aonde nunca estive, não é uma tarefa fácil; cada um fala o que quer. Digo ao motorista que me leva, que tenho a sensação de que todos querem te passar a perna. Ele sorri e depois conta de sua experiência na igreja evangélica e fico pensando que um dos atrativos desta corrente é o seu pragmatismo. Jesus e ganhar um tostões a mais , não parecem estar necessariamente  em contradição&#8230;</p>
<p>O trânsito é intenso a cada mudança de rota encontramos um novo engarrafamento &#8211; a vantagem do preço fixo, é que você não acha que o cara de novo, está te enrolando. Bem chegamos ao centro, uns 10 a 15 km de onde estava. E aí começo a perceber a dimensão do drama. Há uma construção desenfreada de grandes edifícios, de 40 a 60 andares, na beira do mar. Mas são tantos e tão próximos uns dos outros, que acabam criando uma zona escura entre si&#8230; Fico imaginando o sujeito comprando um apartamento no 50º andar, na frente da praia, e tendo que acender as luzes durante o dia. Claro são apenas alguns; mas dá para prever o desenvolvimento desta estória.</p>
<p>Pouca gente caminhando, muitos carros nas ruas. Já vi isto antes&#8230; Miami, Los Angeles e fica aquela sensação do que significa uma relação tão próxima e dependente dos EUA. Em algumas conversas vou compreendendo todo o processo. O povo mais humilde sendo empurrado para fora da cidade, criando espaços para estas construções,  que são de um mau gosto atroz. De fato não há limite. Causar esta impressão pra quem vem de São Paulo, não é pouco. Se há algo em desenvolvimento é esta horrível concepção de arquitetura, que vai misturando tudo em medidas mais que improváveis e colocando como acabamento final, algo ainda mais feio.</p>
<p>Fico buscando o centro antigo &#8211; se de fato há um -, e o encontro o El Casco Viejo. É um lugar bonito, mas em grande parte abandonado. É onde fica o palácio presidencial, e claro, por ali não se pode passar. A velha e distante oligarquia latino-americana&#8230;</p>
<p>Me lembrou um pouco o Pelourinho em Salvador. O lugar é autêntico, mas dentro das casas antigas, sorveterias, restaurantes, e um certo descuido em volta. Não parece haver um uso real daquele espaço. Andando na cidade descubro que é possível fazer corridas de taxi por 2 reais, algo um tanto surpreendente, e que o trajeto que fiz até lá, poderia ter saído pela metade, se eu não fosse um turista. Falo espanhol, acho que bastante bem, mas claro, há o sotaque.</p>
<p>A caminho do centro antigo, passo por um mercado de peixes com barracas especializadas em ceviche. Um de corvina &#8211; peixe local -, fresco, que chega em barcos ali mesmo, custa 1 dólar. No panamá, o dólar é a moeda corrente; a não ser centavos, que é em moeda local. O ceviche, pra quem nunca comeu, é uma espécie de sashimi latino com limão e é, para o meu gosto, incrivelmente bom.</p>
<p>Fim de tarde volto para o hotel e vou ao shopping; ele é imenso, com umas 300 lojas. E aí a mediocridade dos nossos tempos aparece com toda a sua pompa e clareza. Parece que todas as lojas vendem a mesma coisa: roupas de grifes americanas, eletrônicos, das mesmas marcas e quase tudo made in china. O complexo de cinemas exibem em suas 10 salas &#8211; apenas 3 filmes, todos americanos, claro&#8230;Termino por descobrir uma liquidação de camisetas &#8211; cada uma por 1 dólar, made in honduras. Comprei várias, pois nunca encontro nas outras lojas algo que me atraia. Fico pensando que a minha estética nestes tempos está saindo por pouco, e apenas uma loja de eletrônicos tem algo de música &#8211; CDs , DVDs. Ccompro o novo CD/DVD de Ruben Blades &#8211; o grande cantor panamenho, e isto me basta para eu ficar mais contente. Nada como adaptar as expectativas.</p>
<p>Bem no dia seguinte já no aeroporto a caminho de Santo Domingo, naquele aeroporto-shopping, e querendo comprar um adaptador de tomada além de um HD externo, me deparo com uma realidade, para mim ainda mais desconcertante: entro de loja em loja à procura dos melhores preços e marcas, e percebo que todas trabalham com os mesmos produtos e preços; e descubro que são na verdade uma mesma loja, com diferentes nomes e decorações, e não para por aí.</p>
<p>Vou à praça de alimentação, aonde várias marcas convivem &#8211; comida chinesa, japonesa, hambúrguer, natural etc, e descubro que todo o andar também pertence a apenas uma empresa, e me vem a mente um documentário que assisti recentemente, o Food INC &#8211; Comida SA, realizado nos EUA, e que denuncia o estado da alimentação naquele país. Descobrimos que naqueles imensos supermercados americanos, com milhares de opções, 6 a 8 empresas são as fabricantes de toda esta produção. E que por trás das embalagens mais diversas e coloridas, a composição alimentar se diferencia muito pouco, basicamente amido e milho geneticamente modificado. Há 50 anos atrás eram mais de 100 fabricantes.</p>
<p>Ou seja, que brilhante percurso realizado por este capitalismo, com seu discurso de livre competição e oportunidade para todos! Li recentemente algo que fez muito sentido:que o próprio capitalismo foi muito hábil em se associar com a democracia. Na verdade, nada mais distante aqui no Panamá, não há uma guerra. Pelo contrário – há um certo entusiasmo pelo momento, que é de desenvolvimento econômico.  E fico com estes pensamentos, de quanto o foco na economia terminou por empobrecer as outras áreas da atividade humana, e quanto limita a própria experiência humana. Pode soar um tanto amargo e talvez 68, mas é o que sinto: um esvaziamento de muitos aspectos fundamentais que poderiam possibilitar um contato mais profundo com aquilo que é a vida.</p>
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		<title>Às vezes a dúvida&#8230;</title>
		<link>http://www.nucleocontemporaneo.com.br/2010/05/24/as-vezes-a-duvida/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 12:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de Bordo]]></category>

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		<description><![CDATA[AMÉRICA LATINA
 
Neste tempo que fiquei sem escrever, não parei de viajar e visitar outros países; seus festivais e suas músicas.
Estive em setembro na Colômbia para uma edição do Mercado Cultural de Bogotá.
Foi de alguma forma uma  experiencia parecida com a que eu já relatei aqui.
Ótima música, muitas vezes.  A diferença, desta vez, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>AMÉRICA LATINA</strong></p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-1360" title="P1070732" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/P1070732.jpg" alt="P1070732" width="512" height="288" /> </strong></p>
<p>Neste tempo que fiquei sem escrever, não parei de viajar e visitar outros países; seus festivais e suas músicas.</p>
<p>Estive em setembro na Colômbia para uma edição do Mercado Cultural de Bogotá.</p>
<p><span id="more-1362"></span>Foi de alguma forma uma  experiencia parecida com a que eu já relatei aqui.</p>
<p>Ótima música, muitas vezes.  A diferença, desta vez, foi acompanhar a descoberta por parte de outros produtores, especialmente norte-americanos e europeus, deste universo. A surpresa e o encantamento.<br />
É sempre bom ser testemunha destes momentos.</p>
<p>E em seguida fui a Bolívia. E aqui confesso o quanto me fascina La Paz e a Bolívia indígena.  É uma das poucas capitais que visitei que preserva ainda uma grande identidade.</p>
<p>Os mercados &#8211; com os índios vendendo seus artesanatos ; mas também frutas, verduras. Sentados no chão com a mercadoria a sua volta. Ou então nas ruas da cidade.</p>
<p>É um colírio para os olhos cansados de franchising e Mc Donald’s&#8230;</p>
<p>Mas na área da produção musical, e se olharmos o seu desejo de inserção,  a Bolívia se ressente desta maior interação com o mundo.</p>
<p>A sua música tradicional &#8211; andina, é bastante diversa e interessante.  Conhecemos apenas uma pequena parte dela &#8211; aquela tocada por charangos e queñas. Já  música de carnaval &#8211; e que tive oportunidade de assistir na festa do Dia del Grande Poder, em  outra viagem, junho de 2003 , é impressionante.</p>
<p>Formações de sopros e percussão- fazendo um som , que parece de outro planeta. Difícil compreender porque não conhecemos nada disto por aqui.</p>
<p>Também a afro-saia- música afro boliviana é bastante interessante.  Assisti em um bar de La Paz &#8211; os músicos tocando em cima de um balcão. Muito suingue.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1361" title="Bolivia_2" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Bolivia_2.jpg" alt="Bolivia_2" width="494" height="432" /></p>
<p>Mas voltando a músca urbana, não se escutam tantas propostas desafiadoras. Há bons grupos pop &#8211; como alguns  &#8211; que  parecem ter  influências de Manu Chao. E na música instrumental, uma das  propostas que mais chama a atenção é o Parafonista do Álvaro Montenegro &#8211; que participa do América Contemporanea.</p>
<p>Álvaro é um músico presente na cena musical da cidade.  Participa de diversos projetos, e tem o seu próprio estúdio.</p>
<p>E foi Álvaro quem me levou a minha mais bela e</p>
<p>xperiência na cidade, ou melhor , fora dela. A cumbre, como é conhecido um platô sagrado para os índios,  localizado em um dos pontos mais altos da região, a cerca de 40 minutos da cidade, onde realizam vários de seus rituais.</p>
<p>E também a uma espécie de rave andina &#8211; em um local no centro de La Paz, com música para dançar e performances tradicionais. Tudo bastante surreal.</p>
<p><strong>FRANÇA</strong></p>
<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-1363" title="Paris 1" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Paris-1.jpg" alt="Paris 1" width="512" height="288" /></strong></p>
<p>Já neste ano, fui de novo a Babel Med &#8211; um festival e ponto de encontro em Marselha, França. Focado principalmente na música do mediterrâneo com alguns grupos de outras regiões.</p>
<p>Boa música &#8211; e alguns projetos que chamaram bastante a atenção &#8211; como o Yemen Blues, formado por músicos israelenses de diversas origens. Seria tão lindo Israel se abrir, como se abre a sua música&#8230;<br />
E também, um ótimo grupo de Marselha que inclui múscos iranianos- Oneira 6tet</p>
<p>Há neste momento na Europa uma grande inquietação quanto aos possíveis efeitos da crise econômica que todos na área da cultura parecem sentir. Nada de muito novo para nós. Mas sim, para eles.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1365" title="Paris 2" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Paris-2.jpg" alt="Paris 2" width="512" height="288" /></p>
<p>Uma experiência curiosa em Paris. Encontro um amigo querido, Ricardo Herz &#8211; um ótimo violinista brasileiro, que vem morando por lá nos últimos 8 anos. E juntos vamos a um dos clubes mais famosos de jazz de lá &#8211; o Sunset &#8211; assisir a Nelson Veras, outro bom músico que vive há muitos anos na França.</p>
<p>Ingresso a 22 euros &#8211; uns 55 reais. Um espaço pequeno, com cadeiras pequenas e desconfortáveis &#8211; enfileiradas a uma proximidade que sugere que deveríamos ser menores  (e muito) para caber com algum conforto naquele espaço.  Engraçado, porque se fosse em São Paulo, ou no Rio, diriam alguma coisa&#8230; Estes acontecimentos sempre me surpreendem.</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Amsterdam e Cabo Verde</title>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 12:33:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Todas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Em abril, passei 3 dias em Amsterdam para um encontro de Festivais. É o começo de uma viagem de 20 dias. Ainda passo por Cabo Verde e Áustria.
Um projeto estranho e mal organizado. Foi apresentado aos produtores como um congresso de Festivais de Música &#8211; e na verdade era principalmente de cinema. Não é comum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1382" title="Amsterdam" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/P1080457.jpg" alt="Amsterdam" width="512" height="288" /></p>
<p>Em abril, passei 3 dias em Amsterdam para um encontro de Festivais. É o começo de uma viagem de 20 dias. Ainda passo por Cabo Verde e Áustria.</p>
<p><span id="more-1369"></span>Um projeto estranho e mal organizado. Foi apresentado aos produtores como um congresso de Festivais de Música &#8211; e na verdade era principalmente de cinema. Não é comum este tipo de evento &#8211; e também não percebermos antes &#8211; (este “nós” a que me refiro é um grupo de festivais, principalmente, mas não só, europeus que mantém uma troca constante de informações).</p>
<p>Assim que escapei o mais rápido que pude e fui dar umas voltas em Amsterdam. Viraram dias de quase ferias &#8211; os primeiros dias de sol, depois de meses de muito frio na cidade. Assim peguei todos com muito bom humor, e de certa forma felizes. Encontro também amigos locais, um músico e produtor brasileiro que vive agora por aqui, o Marcos Souza. Sempre animado, apeasar das dificuldades naturais de uma nova vida na Europa, especialmente nestes dias, como mencionei acima, de dificuldades econômicas. Está sempre buscando desenvolver diferentes projetos, é daqueles que sempre parecem disponíveis e desejosos de ajudar qualquer músico brasileiro.</p>
<p>A noite, vou a Bimhuiss, uma casa de jazz com uma vista incrível da cidade. Música experimental, algo paradoxalmente comum na Europa, feita por bons instrumentistas. Mas que de alguma forma não reverbera. E não fica na memória.</p>
<p>Agora viajo para Cabo Verde- pasando primeiro por Lisboa. E ao do lado de dois portugueses, um operario de construção, obrigado pelas questões econômicas a viver e trabalhar em Amsterdam. Volta a cada três meses para rever a mulher e dois filhos. Deve ter uns 35 anos. Diz que não consegue sobreviver em Portugal. Triste e preocupado com o seu futuro e de sua família, e ao mesmo tempo, calibrado com alguns goles, se diverte com seus amigos e conversa com a executiva simpática que viaja do nosso lado. A vida é também feita de encontros&#8230;</p>
<p><strong>Cabo Verde</strong></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1370" title="Cabo Verde 1" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Cabo-Verde-1.jpg" alt="Cabo Verde 1" width="512" height="288" /></p>
<p>(em quem voce  confia..em crioulo)</p>
<p>Na chegada, algumas surpresas. Descemos do avião, como acontecia até há pouco no aeroporto Santos Dumont do Rio: caminhando pela pista. É sem dúvida o melhor jeito de desembarcar, em qualquer país tropical.</p>
<p>A cidade Praia, capital do país, que compreende várias ilhas, lembra na sua arquitetura uma das várias cidades do interior do Brasil; e em outros momentos, Salvador ou São Luis.<br />
Me sinto no Brasil</p>
<p>Vim para dar uma oficina de produção e algo como uma vivência para músicos locais. Troca de informação e uma certa inquietação. Afora os projetos mais conhecidos como Cesária Évora e mais recentemente, Mayra Andrade, parece haver uma  certa desolação e um clima de descontentamento com o cenário e as possibilidades locais.</p>
<p>Mas como em todas as periferias, incluindo várias regiões brasileiras, é mais uma questão de se sentir fora dos grandes centros, como que esquecidos pelos holofotes do mundo.</p>
<p>Ponto para movimentos como fora do eixo, que vem revertendo este olhar, e transformando uma possível desvantagem, em oportunidade.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1372" title="Cabo Verde 2" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Cabo-Verde-21.jpg" alt="Cabo Verde 2" width="512" height="288" />De qualquer forma há o desejo de transformação e ampliação da cena por aqui. Se persistirem, poderão criar boas coisas. Curiosamente para nossas expectativas em relação à África, não se faz som nas ruas. Nem nos bares.</p>
<p>Muito bom falar portugues em outro país. E la também se fala o criolo &#8211; uma mistura de português, inglês, francês, e sabe lá o que mais. É bonita a lingua, o som&#8230;</p>
<p>O Festival, Kriol Jazz, acontece em uma praça. São 8 shows &#8211; músicos da África, dos Estados Unidos…</p>
<p>E do Brasil o Cello Samba Trio do Jaques Morelembaum, Lula Galvão e Rafael Barata. Ótimos músicos &#8211; e um repertório clássico. Tom Jobim, Dorival Caymmi, Egberto Gismonti, João Donato. O público reage bem.</p>
<p>Manhatan Transfer dos EUA me faz pensar na questão do tempo. Cantam muito bem, mas parece que estou na era da disco-glitter, algo assim. Um pouco fora do tempo, para mim.</p>
<p>O som mais surpreendente que vi &#8211; foi um projeto da África do Sul &#8211; Tumi and the Volume www.myspace.com/tatv.   Um quarteto que inclue dois músicos de Moçambique que fazem hip-hop com &#8211; guitarra baixo e bateria. Ótimos músicos &#8211; especialmente guitarra e bateria.  É bacana, porque rolaram boas idéias músicais, ótimos grooves. E o Tumi é um bom rapper.</p>
<p>Em um restaurante a noite, um tecladista toca música brasileira – Tico-tico no fubá, e outras. Às vezes inesperadamente bem. E às vezes bem mal&#8230;</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1373" title="Cabo Verde 3" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Cabo-Verde-3.jpg" alt="Cabo Verde 3" width="512" height="288" /></p>
<p>No domingo entro em uma igreja lotada. E sou surpreendido por um canto coral muito bonito e tocante, acompanhados por percussão. Muito africano e musical. Ouço depois falar nos rebelados &#8211; habitantes da ilha, que se afastaram de uma certa opressão da igreja européia e criaram seu próprio caminho&#8230; e sua própria igreja.</p>
<p>Passo algumas horas conversando com diretores de outros festivais na África &#8211; Gabão, Burkina Faso, Ilha da Reunião. E também da Jamaica.  E com o guitarrista moçambicano do grupo acima. São todos muito bem informados, conectados, atentos. O que só reforça o desejo de conhecer mais o continente.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1374" title="Cabo Verde 4" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Cabo-Verde-4.jpg" alt="Cabo Verde 4" width="512" height="288" /></p>
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		<title>Calvi, Córsega &#8211; Festival de Cantos Polifônicos</title>
		<link>http://www.nucleocontemporaneo.com.br/2009/10/05/calvi-corsega-encontro-do-forum-europeu/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 14:29:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Em seguida a Coréia, vou direto a França para um encontro do EFWMF &#8211; Fórum Europeu do Festivas de Músicas do Mundo.
O encontro acontece dentro de um Festival em Calvi, uma bonita cidade na ilha francesa de Córsega.
Centrado em torno da voz e do canto polifônico, é organizado por um grupo vocal local – o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="ngg-singlepic ngg-none" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/calvi-photos/P1070559.jpg" alt="P1070559" width="512" height="288" /></p>
<p>Em seguida a Coréia, vou direto a França para um encontro do <a href="http://www.efwmf.org">EFWMF</a> &#8211; Fórum Europeu do Festivas de Músicas do Mundo.</p>
<p>O encontro acontece dentro de um Festival em Calvi, uma bonita cidade na ilha francesa de Córsega.</p>
<p>Centrado em torno da voz e do canto polifônico, é organizado por um grupo vocal local – o <a href="http://www.myspace.com/afiletta">A Filetta</a> – um dos projetos mais bonitos que ouvi recentemente.</p>
<p><span id="more-759"></span></p>
<p>Baseado nos cantos tradicionais da Córsega – que estavam de certa forma desaparecidos &#8211; , o A Filetta é um dos grupos que trouxe novamente a tona esta música e esta forma de cantar.</p>
<p>No caso deles, estendendo-a um projeto próprio, autoral e mais amplo.</p>
<p>Outros grupos locais, que são as confrarias, procuram recriar e seguir os cantos tradicionais.  São ligados às igrejas. E têm alguns de seus ritos tradicionais totalmente baseados na música.</p>
<p><img class="ngg-singlepic ngg-none" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/calvi-photos/P1070610.jpg" alt="P1070610" width="512" height="290" /></p>
<p>Este festival procura reunir assim vários conjuntos – em geral de 4 a 6 integrantes que praticam o conto polifônico – a várias vozes (em geral 3) em todo o mundo.</p>
<p>Este ano, estiveram presentes grupos da Albânia, Sibéria, Itália, Armênia e da própria ilha.</p>
<p>Há também a participação de cantores, solistas e de seus projetos. O que mais me chamou atenção pela excelência dos músicos e originalidade foi o projeto da cantora <a href="http://www.accords-croises.com/es/artiste-bio.php?artiste_id=25">Houria Aïchi</a>.</p>
<p><strong>Calvi</strong></p>
<p>A região é muito linda. Montanhas, mar… E especialmente as construções mais antigas. Os concertos aconteceram em duas igrejas medievais simples e muito bonitas.</p>
<p><img class="ngg-singlepic ngg-none" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/calvi-photos/P1070627.jpg" alt="P1070627" width="512" height="288" /></p>
<p>Com capacidade para trezentas, quatrocentas pessoas. O que me faz pensar, nestas questões de sustentabilidade, tamanhos. <em>Small is beautiful</em>. E de fato é.</p>
<p>Todos os músicos permaneceram durante todo o Festival, comiam no mesmo espaço (uma casa que é sede do A Filetta), e os encontros aconteceram naturalmente.</p>
<p>Bons sons. Bons dias.</p>
<p><strong>Mais algumas fotos:</strong></p>
<p><strong><img class="ngg-singlepic ngg-none" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/calvi-photos/P1070556.jpg" alt="P1070556" width="512" height="288" /></strong></p>
<p><strong><img class="ngg-singlepic ngg-none" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/calvi-photos/P1070626.jpg" alt="P1070626" width="512" height="288" /></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Coréia, setembro de 2009</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 18:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de Bordo]]></category>
		<category><![CDATA[concerto]]></category>
		<category><![CDATA[Coreia]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleo de Música do Abaçaí]]></category>
		<category><![CDATA[Seul]]></category>
		<category><![CDATA[Show]]></category>
		<category><![CDATA[tour]]></category>

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		<description><![CDATA[
Primeiro Dia - Seul
Cheguei há algumas horas. Depois de 30 horas viajando. Mas na verdade uma viagem tranquila.
Na chegada Yoo Jung do escritório do PAMS &#8211; Performing Arts Market Seoul, me levou pra tomar o café da manhã local &#8211; que é igual ao almoço ou jantar.
(Toco no dia 13 em Jeju &#8211; uma ilha &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="ngg-singlepic ngg-none aligncenter" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/korea-photos/P1070381.jpg" alt="P1070381" width="507" height="232" /></p>
<p><strong>Primeiro Dia - <span style="font-weight: normal;">Seul</span></strong></p>
<p>Cheguei há algumas horas. Depois de 30 horas viajando. Mas na verdade uma viagem tranquila.</p>
<p>Na chegada Yoo Jung do escritório do PAMS &#8211; Performing Arts Market Seoul, me levou pra tomar o café da manhã local &#8211; que é igual ao almoço ou jantar.</p>
<p>(Toco no dia 13 em Jeju &#8211; uma ilha &#8211; e venho primeiro a Seul, para encontrar músicos tradicionais e me reunir com o escritório de música da Coréia).</p>
<p><span id="more-746"></span></p>
<p>Eles não fazem distinção entre as três refeições &#8211; ou seja &#8211; pra mim, já na confusão dos horários &#8211; virou almoço&#8230;</p>
<p>Consegui ir até uma livraria de livros coreanos em inglês &#8211; assim posso saber um pouco da história e cultura – a partir de orelhas de livros. Mas é o que consigo a estas alturas.</p>
<p>Em seguida, uma visita ao Museu Antropológico &#8211; Folk Museum. Muito rápido, em um espaço cheio de castelos antigos. Todos muito bonitos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="ngg-singlepic ngg-none aligncenter" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/korea-photos/P1070435.jpg" alt="P1070435" width="493" height="277" /></p>
<p>E o desejo de ficar horas… Que esta viagem não permite. Mas vejo no museu uma referência a cidade de um império que começou 37 anos antes de Cristo – Silla – e, para mim, o incrível fato de que parece muito a urbanização das cidades de hoje – centro parques, quadras residenciais. E sinto o quão pouco sei de qualquer coisa. Na saída compro o livro do museu na esperança de aprender um pouco mais&#8230; É curioso ver o homem das cavernas, coreano&#8230;</p>
<p>Encontro com dois músicos que vão participar do Mercado Cultural (do <a href="http://www.myspace.com/sonagiproject">Sonagi Project</a>)&#8230; Em minha vida tem sido um tanto assim: a vida de músico e produtor. Tento manter um equilíbrio entre as duas atividades, embora ambas terminem sendo a mesma coisa, de certa forma. Pois acabo produzindo basicamente a música que me parece boa, e na qual acredito que vale a pena difundir. E o mesmo vale para quando toco&#8230; E quando às vezes os convites surgem, e me parecem bons e criativos, vamos lá.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="ngg-singlepic ngg-none aligncenter" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/korea-photos/P1070391.jpg" alt="P1070391" width="493" height="277" /></p>
<p><strong>Segundo dia</strong></p>
<p>Seul… É uma daquelas capitais… que me lembra várias cidades. A vida noturna é intensa, muita gente na rua, carros também durante a noite.</p>
<p>Vários locais 24h.  Creio que vivem, aqueles mais inquietos, o conflito entre o modelo de sociedade contemporânea, globalizada – basicamente ocidental –, e o desejo de preservar a sua cultura, modo de vida, o tempo e as tradições. Mas é para mim impressionante a intensidade do consumo&#8230; Lojas, magazines imensos, completamente lotados. Um pouco assustador. Música pop por toda parte&#8230; Aqueles grupos adolescentes, raps coreanos. Muito esquisito.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="ngg-singlepic ngg-none aligncenter" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/korea-photos/P1070394.jpg" alt="P1070394" width="493" height="277" /></p>
<p>O bacana, nesta área, foi o encontro com dois grupos tradicionais coreanos. Fui ao estúdio de ensaio de cada um – uma bela sacada –, ter um estúdio próprio de ensaio. E também, significando que eles ensaiam muito. Creio que todos os dias, quando não estão viajando em tour.</p>
<p>Ambos os grupos, tem um líder, um tanto mais experiente e bastante respeitado, mas a relação é muito leve e agradável, entre eles. Os outros músicos são bem jovens. É uma das boas músicas tradicionais &#8211; atuais, que escutei recentemente.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="ngg-singlepic ngg-none aligncenter" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/gallery/korea-photos/P1070482.jpg" alt="P1070482" width="493" height="277" /></p>
<p>Os coreanos têm em geral, uma formalidade. Que pode ser bonita… Teria que viver mais para sacar as particularidades. Alguém mais velho só pelo sobrenome e coisas assim… Eles, então, fazem mesuras. Mesmo os jovens, hippies.</p>
<p>Eles são respeitosos. Ficamos conversando sobre isto no jantar. A comida, como todo o resto de sua cultura é bastante particular. Não tendo muita relação com a japonesa ou chinesa. Claro há o budismo e o catolicismo – ambos com colorações locais.  Mas há também a forte presença dos shamans no imaginário, cultural, religioso e também musical (ver filme <a href="http://www.intangibleasset82.com">intangible heritage 82</a>).</p>
<p>Quanto a apresentação em Jeju, uma ilha ao sul do continente – foi uma experiência estranha. O que cria o desejo de compartilhar que no meio de boas experiências, sempre podem aparecer estas, mais esquisitas. Um Festival um tanto sem nexo, consistência, coerência… Não entendi.</p>
<p>Mas o bom humor do grupo &#8211; o Núcleo de Música do Abaçai – e do João, no baixo, tornaram tudo mais leve. Além da simpatia e gentileza de algumas pessoas que estavam trabalhando na produção&#8230;</p>
<p>Assim fica o desejo de voltar a Coréia – e especialmente a Seul, lugar que deixei  levando várias perguntas, e que me pareceu especialmente atraente.</p>
<p><strong>Alguns links:</strong></p>
<p><a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;VideoID=46760736">Noreummachi</a></p>
<p><a href="http://cafe.daum.net/panse">Chae Soo Jung</a></p>
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		<title>Marrocos &#8211; algumas impressões</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 10:33:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de Bordo]]></category>
		<category><![CDATA[concertos]]></category>
		<category><![CDATA[Diversidade cultural]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
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Poucos lugares no mundo me despertaram tantas fantasias como este país. Acho que misturei o imaginário de livros lidos na infância, com filmes assistidos depois, e a sons ouvidos. Além dos documentários, que sempre vao buscar as imagens &#8220;autênticas&#8221;.
Assim que quando pisei no aeroporto  em Agadir, estava pronto para me maravilhar… E foi esta a sensação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; text-align: center; margin: 0px;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px initial initial;" title="DSC02442" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2009/07/DSC02442.jpg" alt="DSC02442" width="507" height="381" /></p>
<p>Poucos lugares no mundo me despertaram tantas fantasias como este país. Acho que misturei o imaginário de livros lidos na infância, com filmes assistidos depois, e a sons ouvidos. Além dos documentários, que sempre vao buscar as imagens &#8220;autênticas&#8221;.</p>
<p>Assim que quando pisei no aeroporto  em Agadir, estava pronto para me maravilhar… E foi esta a sensação que tive entre o aeroporto e a cidade (percurso de uns 40 minutos). Mas a chegada ao hotel mudou esta primeira impressão. Me senti em Miami.<span id="more-414"></span>Turistas europeus, em busca de um sol barato, enchem os espaços turísticos da cidade &#8211; sem se locomoverem. Ficam onde estão &#8211; estáticos&#8230; Se na piscina, aí permanecem por dias. E, o bairro turístico, se assemelha, a qualquer outro, em qualquer lugar do planeta.</p>
<p>Fui a Agadir a convite do Festival de Timitar, dirigido por Brahim El Mazned.  A idéia de Brahim era apresentar um projeto meu, brasileiro. Propus realizar um encontro com músicos locais. E Brahim, topou. E foi o que de mais bacana, poderia ter acontecido.</p>
<p>Primeiro, porque os músicos marroquinos que ele convidou, eram excelentes. E, porque os músicos brasileiros do projeto, Ari Colares, Lula Alencar e o João (Taubkin) compartilhavam desta expectativa e interesse. Além da Luiza Morandini, na produção&#8230; E foi a partir deste encontro, que pude conhecer um pouco do verdadeiro Marrocos (embora a parte turística não deixe de ser algo real)…</p>
<p>O encontro musical aconteceu de forma fácil e orgânica. Eles curtindo… Nós também. Risos daqui, piadas dalí&#8230; E pronto: já éramos uma turma. Preparamos 4 músicas brasileiras e quatro locais.</p>
<p>Midi &#8211;  jovem  e super talentoso músico gnawa, nos convidou a conhecer a sua cidade &#8211; a uma hora de Agadir -, e almoçar em sua casa. Housseini, grande percussionista, preparou em nosso último dia um lindo almoço em sua casa também. Fora o jantar, na casa do Brahim&#8230;</p>
<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; margin: 0px;">
<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; min-height: 14px; text-align: center; margin: 0px;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px initial initial;" title="Marrocos estrada" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2009/07/DSC02353.jpg" alt="Marrocos estrada" width="512" height="288" /></p>
<p>Experiências de puro afeto e hospitalidade. Na verdade, tínhamos que tomar cuidado em manifestar qualquer desejo, pois como na estória de Aladim, ele seria satisfeito imediatamente, por algum dos nossos companheiros locais. Poucas vezes vi esta expressão de cortesia e hospitalidade em ação como nestes dias.</p>
<p>Aí vale uma digressão &#8211; Agadir é a cidade que concentra o maior número de habitantes da  população berber. Que é a população original do Marrocos.</p>
<p>Existe uma certa divisão entre eles e os árabes, que vieram no sec  VIII DC. E há também uma polêmica &#8211; se todos são berberes e uma parte se pretende árabe. De todas as maneiras, os beberes não compõem o governo central e se sentem excluídos dos centros de poder.</p>
<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; text-align: center; margin: 0px;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px initial initial;" title="Marrocos - dromedários" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2009/07/DSC02352.jpg" alt="Marrocos - dromedários" width="512" height="384" /></p>
<p>O Marrocos é uma monarquia, de fato, em transição. O rei divide o poder com um governo civil. Ele é relativamente jovem e querido pelo seu povo. E se declara árabe e berber, neste caso, por ter uma mãe desta origem. Assim, de alguma forma todos convivem. O Festival, do qual participamos, é gratuito para o público e acontece em três espaços distintos &#8211; duas praças e um teatro &#8211; ao ar livre, aonde tocamos&#8230;</p>
<p>É um público gigantesco que acorre. Na praça principal, 130 mil pessoas acompanharam no domingo a apresentação de um grupo de rap local com acento político.</p>
<p>O teatro ao ar livre tem capacidade para &#8220;apenas&#8221; 3.000 pessoas. Havia umas 2000 ou um pouco mais quando tocamos. É para mim, um público imenso.</p>
<p style="font: normal normal normal 12px/normal Helvetica; min-height: 14px; text-align: center; margin: 0px;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 0px initial initial;" title="Marrocos - palco principal" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2009/07/DSC03058.jpg" alt="Marrocos - palco principal" width="512" height="288" /></p>
<p>O concerto aconteceu de forma bem especial, com todos nos emocionados com a experiência. E também com alguns problemas de monitor&#8230; Este é sempre um problema dos grandes festivais. Com  três grupos tocando na sequência em cada palco, fica difícil acertar a questão técnica. Mas sobrevivemos, e saímos contentes desta experiência.</p>
<p>Vários aspectos nos chamaram a atenção.</p>
<p>Nas praias poucas mulheres de maiô, a maioria entra na água de roupa. Por outro lado, parece haver uma grande tolerância, entre as diferentes tendências religiosas. Há desde burkas &#8211; cobrindo todo o rosto -, até meninas e mulheres super produzidas.</p>
<p>Mas não se vê beijos entre casais. Muito menos gays assumidos. Em muitos bares, apenas homens. Cds &#8211; esquece..ninguem compra. Mas um monte de fita cassette ainda presente.</p>
<p>Chamam a atenção os palácios. De fato, filme… E momentos onde a cidade parece a periferia de São Paulo. E bairros bonitos. Afinal uma cidade como outras, que conhecemos bem.</p>
<p>Fotos: Lulinha Alencar</p>
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		<title>ISPA- International Society for the Performing Arts</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 10:25:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário de Bordo]]></category>
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		<category><![CDATA[Produtores]]></category>

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São Paulo recebeu o congresso do ISPA- International Society for the Performing Arts. Encontro que reuniu produtores, agentes e principalmente programadores de diversos centros culturais de várias  partes do mundo. Foi organizado pela Claudia Toni, através da Secretaria de Cultura do Estado &#8211; da qual a Claudia é assessora de música. Foi uma espécie de afirmação de São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-345" title="ispa_peq" src="http://www.nucleocontemporaneo.com.br/wp-content/uploads/2009/06/ispapeq.jpg" alt="ispa_peq" width="466" height="403" /></p>
<p>São Paulo recebeu o congresso do ISPA- International Society for the Performing Arts. Encontro que reuniu produtores, agentes e principalmente programadores de diversos centros culturais de várias  partes do mundo. Foi organizado pela Claudia Toni, através da Secretaria de Cultura do Estado &#8211; da qual a Claudia é assessora de música. Foi uma espécie de afirmação de São Paulo &#8211; como capital cultural no mundo.<span id="more-410"></span>Creio que o fato de ter participado de encontros desta natureza,  em outras partes do mundo, permitiu-me avaliar a  generosidade presente nesta iniciativa, tanto em termos de atividades, como no desejo de compartilhar as nossas especificidades culturais.</p>
<p>Houve excelência tanto na organização, como na criação de um tema comum que aproximava a todos, o mergulho na diversidade. Entre as atividades uma mostra da música tradicional brasileira &#8211; com  o Boi do Maracaná de Belém, Congado, Caboclinho… Tudo muito rápido, para mim. Meio cartão postal. Mas provavelmente bastante atraente e eficiente do ponto de vista de impacto. No meu caso teria preferido menos grupos e um mergulho maior em cada um deles&#8230;</p>
<p>Existe ainda gentileza e nobreza neste meio. O interesse dos estrangeiros era genuíno. Abertos a nossa maneira de pensar e fazer, pude constatar um certo fascínio por caminhos que eles desconhecem. Ponto para a organização, que em nenhum momento impôs o conceito de que temos apenas a aprender. Temos sim. Mas temos o que mostrar também em termos não só de criação, como  na busca de caminhos próprios  e formas de viabilizar infinitas produções.</p>
<p>Participei de uma mesa ao lado doze profissionais onde debatemos o papel do agente, a partir da visão de artistas, programadores e dos próprios agentes. Neste campo ainda estamos defasados no país. Creio que desperdiçamos um importante canal de produção e difusão e que é um elo fundamental, nesta cadeia.</p>
<p>Ainda  temos a visão antiga do produtor, empresário (palavra com conotação pesada) e agente (do qual, creio que não temos uma idéia clara). Todos, muitas vezes,  como uma  turma de espertalhões a buscar vantagens na relação com os artistas.  Ou sujeitos ignorantes do real valor da arte, mais como atravessadores.</p>
<p>Bom &#8211; creio honestamente que sem a revisão destes conceitos, bem como a formação de profissionais competentes e criativos nesta área não iremos muito longe em termos de um real desenvolvimento do mercado para a cultura.<br />
Alguns dos produtores , programadores e agentes  que conheci, tanto no Brasil, como o resto do mundo, são para mim o sal da terra.</p>
<p>Apaixonados pelo trabalho que fazem, não medem esforços e recursos para viabilizarem seus projetos &#8211; que são na maior parte das vezes inclusivos e benéficos, diretamente, para uma serie de pessoas e indiretamente para toda a sociedade.<br />
Alguns tem uma visão equilibrada deste meio; suas possibilidades e deficiências. Voltei agora do Porto Musical (escrevo sobre o evento – num próximo post), organizado por Melina Hickson e Paulo André. A importância deste  encontro e a dedicação de ambos para o seu sucesso é típico deste profissional que menciono.</p>
<p>Assim como percebi em varios dos estrangeiros na mesa,  do ISPA, o desejo de ouvir, aprender e acolher experiências diversas.</p>
<p>No meu caso, tenho tido a felicidade de trabalhar com diversos  jovens, entre os quais,  profissionais muito dedicados e competentes no Núcleo Contemporâneo.  Entre os que passaram, ou ainda estão: a Carina Santana, o Felipe Arruda, a Luiza Morandini, a Marcia Duarte, Erika Breno, Lysandra Domingues, o Marcelo Ozório… Sem este tesão, o trabalho não acontece. E sem eles, não há como fazer este projeto. É necessário iniciativa, bom senso, improvisação, coragem, bom humor… Não são qualidades pequenas, nem fáceis.</p>
<p>Não me refiro aqui ao captador de recursos, que nada mais faz que correr atrás de verba e criar franksteins culturais, para não perder a chance daquele editalzinho&#8230;</p>
<p>Penso mais naqueles que correm riscos e se envolvem até o pescoço com este universo&#8230; E com os quais tenho muitas vezes trabalhado e me beneficiado deste contato. A turma da Bangalo, Jardim, Veredas e outros em Minas. A Ligia em Porta Alegre, a Lu Araujo no Rio. O Marcos Souza, a Myriam &#8211; minha irmã que desde sempre vem fazendo um lindo trabalho de preservação  e difusão da música brasileira. A Lucia da 2 LL, o Ruy  e a Via Magia na Bahia, e Rita  Fernandes  no Rio &#8211; ambos do Mercado Cultural da Bahia.  A Coraly e a Joelke, o Martin  Grossman, a Samantha e a Yael, no CCJ. O Pena, que além de  pensar como poucos o meio, realiza um importante trabalho no Auditório Ibirapuera.</p>
<p>Sem estas pessoas, e tantas outras aqui não citadas, mas com o mesmo valor, não há vida cultural inteligente.</p>
<p>Tenho tido contato com muitos jovens em seminários e encontros Brasil afora, que se oferecem como voluntários para trabalhos nesta área. Vejo o brilho nos seus olhos, e a maneira encantada como se referem a este desafio. Que é de fato uma imensa aventura, para quem se envolve.</p>
<p>Sinto ainda uma espécie de desconhecimento por parte de vários artistas, do real valor destes profisionais. Na verdade não estão do outro lado do Balcão&#8230; Não são os inimigos necessários. São, quando dedicados e sinceros, uma parte fundamental de vida criativa do país.</p>
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