Orquestra Popular de Câmara
Foto: Kris Knack
Orquestra Popular de Câmara traz uma nova sonoridade ao universo musical brasileiro a partir do encontro do mundo contemporâneo com o tradicional. Em sua formação, destaca-se a convivência harmoniosa de instrumentos tradicionais e urbanos, como o violoncelo, piano, zabumba, acordeom, bandolim, flautas indígenas e saxofones. O grupo nasceu em 1997 e desde então tem se apresentado pelo Brasil e pelo mundo. Em 2003, em uma turnê pela Europa, a Orquestra Popular de Câmara participou de oito festivais na Alemanha, França, Bélgica e Espanha. O grupo já se apresentou com artistas como Hermeto Paschoal, Luiz Melodia, Zélia Duncan, Orquestra Jazz Sinfônica.
A Orquestra Popular de Câmara reúne os melhores instrumentistas brasileiros, que trazem sempre arranjos originais e criativos. São eles: Benjamim Taubkin (piano), Teco Cardoso (sax e flautas), Caíto Marcondes, Zezinho Pitoco, Guello e Ari Colares (percussão), Ronen Altman (bandolim), Lulinha Alencar (acordeão), Sylvinho Mazzucca (contrabaixo) e Dimos Goudaroulis (violoncello).
CD Orquestra Popular de Câmara
O primeiro álbum, lançado em 1998 pela gravadora Núcleo Contemporâneo foi um marco na música instrumental brasileira por trazer elementos tradicionais e fazer músicas com uma sonoridade tão peculiar. O álbum foi sucesso de público e crítica. Em 1999, foi escolhido com o melhor CD de música instrumental pelo prêmio Movimento e também pelo site candense “Caravan”. Ainda em 99, o grupo participou do Miami Jazz Festival. Nos Estados Unidos, o disco foi lançado em 2003 pela Adventure Music.
CD Danças, Jogos e Canções
O segundo CD foi lançado pela gravadora Núcleo Contemporâneo.
A intenção aqui é apresentar várias leituras que cada um dos participantes (músicos, solistas, compositores, improvisadores, arranjadores) fez com sua composição para a orquestra. Sem, com isto, abandonar as idéias do primeiro disco e da própria formação do grupo: a apropriação de linguagens populares e eruditas e, no que diz respeito aos arranjos, a mistura de estruturas fechadas e abertas.
O repertório do grupo é composto por músicas como: Bayaty (E. Mansurov), Vinheta da Espanha ou do Agreste (Benjamim Taubkin), Parafuso (Ronen Altman), Gaúcho Corta-Jaca (Chiquinha Gonzaga), Suíte pra Pular da Cama (E Ver o Brasil) (Benjamim Taubkin), Correnteza (Tom Jobim e Luís Bonfá), Jabaculê no Jabour (Teco Cardoso) , Malunga (Caíto Marcondes), Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira), 23 de Junho de 1997 (samba) (Hermeto Paschoal).
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www.youtube.com/nucleocontemporaneo
Músicos
Ari Colares (percussão)
Professor da Universidade Livre de Música e da ECA-USP. Como músico, já se apresentou com: Naná Vasconcelos, Egberto Gismonti, Winton Marsalis, César Camargo Mariano, entre outros. Atualmente, toca com Vanessa da Mata, Fortuna, Banda Heartbreakers, entre outros. Há dois anos, tem atuado em diversas regiões do Brasil no show “Palavra Cantada ao vivo”, com Paulo Tatit e Sandra Perez. Na música instrumental, desenvolve um duo de piano e percussão com Heloísa Fernandes, trabalho iniciado a partir do Prêmio Visa Instrumental, do qual foram finalistas.
Benjamim Taubkin (piano)
A música brasileira e seu diálogo com as outras culturas vêm sendo o campo de atividade deste instrumentista, arranjador e compositor e produtor.Como músico vem atuando em diversas formações- que vão do solo a Orquestra Sinfônica em apresentações no Brasil e exterior.
Entre os projetos recentes que participou -como músico e arranjador – constam – Jobim Sinfônico, Samwad – Rua do Encontro, Milágrimas, Orquestra Jazz Sinfônica, Paulo Moura, Monica Salmaso.
Dirige o selo Núcleo Contemporâneo – voltado principalmente a música instrumental brasileira. Está presente como instrumentista e produtor em mais de 130 discos. Dirigiu em torno de 500 concertos. Coordenou projetos em instituições como Itaú Cultural e Secretaria de Estado da Cultura. Desenvolveu diferentes programas para o SESC, CCJ, CCBB, entre outros.
Participou de diversas comissões de cultura como- Premio Sergio Mota, Petrobras, Multicultural Estadão, Premio Visa, Cultura Viva etc. É curador de música do Mercado Cultural da Bahia desde 2001- uma plataforma focada principalmente na produção brasileira e latino-americana. É membro do Fórum Europeu de Músicas do Mundo. Vem participando de seminários e encontros em todo o mundo.
Caíto Marcondes (percussão)
Teve seu CD “Porta do Tempo” lançado no Brasil e Europa. Airto Moreira o considera “o Villa-Lobos da percussão”. Fez a trilha sonora, junto com Teco Cardoso, para o filme”O Cineasta da Selva”, cujo CD foi lançado pela Gravadora Núcleo Contemporâneo.
Dimos Goudaroulis (violoncelo) – Nascido na Grécia, tem se apresentado em diversas formações, de grupos barrocos a música contemporânea.
Guello (percussão)
Tem se apresentado com diversos músicos como Zizi Possi, com quem gravou os últimos quatro CDs, Chico César, Joyce, entre outros.
Lulinha Alencar (acordeon)
Nascido em Rafael Godeiro no sertão do Rio Grande do Norte seu primeiro contato com a música foi tocando triangulo e zabumba junto com seu pai o sanfoneiro Zé de Cezário pelos pés de serra daquela região. Hoje o nome desse jovem instrumentista vem sendo lembrado cada vez com mais freqüência quando se trata da talentosa cena de música instrumental feita no país atualmente, visto que suas composições aliadas ao seu jeito peculiar de tocar os teclados (piano e acordeom) vêm lhe possibilitando uma trajetória independente dentro do restrito círculo de festivais brasileiros e internacionais. Integrante da Orquestra Popular de Câmara de São Paulo ao lado de um time musical de notáveis referências, Lula ainda trabalha como músico de apoio de nomes importantes da MPB. Transitando entre áreas diversas mas afins, seu som revisita suas origens sertanejas e completa-se com a urbanidade em arranjos pautados na modernidade e nas tradições enraizadas sob a influência de mestres. Dono de um repertório rico e expressivo, sua música tem se destacado e vem abrindo portas para lhe capacitar a ser mais um bom representante da música produzida aqui no Brasil.
Ronen Altman (bandolim)
Bandolinista, arranjador e compositor. Começou a estudar bandolim aos 12 anos de idade, com o prof. Lúcio França, Heraldo do Monte, Eduardo Gudin, Sérgio Bizeti, Pedro Cameron (violão). Com o Professor e Arranjador Cláudio Leal Ferreira concluiu os cursos de harmonia, rearmonização e arranjo. Freqüentou durante 3 anos o curso de estética musical com o Professor H.J.Koellreutter.
Trabalhou com artistas como Nana Caymmi, Arismar do Espírito Santo, Celso Viáfora, Vicente Barreto, Wandi/Premê, Heraldo do Monte, Eduardo Gudin, Vânia Bastos, Edson José Alves, José Miguel Wisnik, Márcia, Paulo César Pinheiro, Elza Soares, Naná Vasconcelos, Mike Marshall, Paulinho da Viola, entre outros.Gravou a trilha sonora do filme ‘Terra Estrangeira’, de Walter Salles Jr., composta por Wisnik.
Foi solista do grupo de choro Os Anjos – primeiro grupo de choro a excursionar pela china, em 1986, e integrou o grupo Notícias Dum Brasil (ao lado de Eduardo Gudin).
Participou da temporada “Homenagem a Orfeu” 50 anos do encontro de Jobim, Vinícius e Niemeyer.
Foi professor de música da escola Espaço Musical durante doze anos, e além da Orquestra Popular de Câmara, Ronen é integrante do grupo “Expresso Brasil”.
Sylvinho Mazzucca Jr. (contrabaixo)
Tocou com vários artistas, entre eles, Ivan Lins, Zona Azul. É um dos contrabaixistas mais consistentes em atividade.Teco Cardoso (flauta, saxofone, flautas de bambu) – Vencedor do “Prêmio Sharp” de 1998 (Cat. Revelação Instrumental) com o CD “Meu Brasil”. É um dos criadores do Núcleo Contemporâneo. Tem realizado diversas turnês com o seu próprio grupo e ao lado de artistas como Joyce, Dori Caymmi, entre outros. Fez a trilha sonora para o filme “O Cineasta da Selva”, junto com Caíto Marcondes e lançou, no final de 99, o CD “Quinteto”, em parceria com a flautista Léa Freire. Em parceria com Ulisses Rocha, lançou o CD “Caminhos Cruzados”.
Zezinho Pitoco (percussão) -Participou da criação de diversos grupos de música brasileira, como “Mexe com Tudo” e “Mistura e Manda”. É, atualmente, diretor musical de Antônio Carlos Nóbrega.
Imprensa
“Não é fácil, afinal, definir o registro dessa música. Existe um afeto sem nome, que os músicos conhecem bem, e que nos leva para além das meras paixões. Não tem nome, mas um adjetivo possível para ele é “musical”. Foi de lá, quem sabe, do fundo dessa emoção quase impessoal, que a Orquestra encontrou reservas de sentido. E é para lá, sobrevoando toda contingência, que a gente vai agora, que a gente sempre quer ir, seguindo o pássaro preto da música, correnteza abaixo”.
Arthur Nestrovski
Folha de S.Paulo, 14/10/2002
“Orquestra Popular de Câmara vai fundo na tradição, mas mesmo assim apresenta uma fidelidade contemporânea com a música popular tradicional”
Mauro Dias
O Estado de São Paulo, 17/12/99
“What I love about this music is that it sounds like now in Brazil to me, without really being that traditional somehow, even though it is obvious that the players know all about the sources of what they are playing.”
Pat Metheney
The interpretation of Brazilian music is something that has been covered in virtually every context, from intimate solo and duet settings to full-out orchestral works. The key aspect of whatever setting is used is whether it maintains its authenticity. While traditional jazz groupings can cover the material, moulding it to a more North American rendering, the most genuine works have arguably been those which use many of the native South American instruments. While Egberto Gismonti,orchestral interpretation of his more popular works on 1997, Meeting Point was academically interesting, it lacked a certain ethnic authenticity that ultimately resulted in a valiant but failed attempt.
Not so the Orquestra Popular de Camara who, by combining native instruments like bandolim, bamboo flute and a variety of percussion instruments with the less conventional cello and viola, create an intriguing blend of textures that is refreshingly different while, at the same time, maintaining complete authenticity.
Orquestra Popular de Camara is a wholly original work by a group of musicians who forsake individuality to create a unique group sound that blends instruments from the rainforests of Brazil with more conventional instruments like piano, saxophone and bass. The Orquestra’s complete lack of ego is what makes it work. While the ensemble numbers thirteen players, it is rare that everyone is in the pool at once. Instead, piano and cello combine with berimbau in a chamber-like setting, creating a peaceful ambience at the beginning of �Suite para Pular Cama (Ever o Brasil) that leads into a Gismonti-informed folk-like passage featuring bandolim, piano, percussion and flute. Monica Salmaso wordless vocals lend an ethereal quality to Bayaty another piece which begins in a tranquil fashion, only to segue into a relaxed but poignant movement where voice and flute combine seamlessly.
The overall ambience of Orquestra Popular de Camara is one of folk-like elegance. Individual players are given brief opportunities to solo, often-times in the form of a dialogue with another instrument, sometimes combining in ways that sometimes blur the boundaries between them. Cello and accordion combine in a duet at the beginning of Parafuso creating a new and distinct texture. One of the outstanding characteristics of the recording is, in fact, how the various instruments are blended to create timbres that are organic yet strangely new.
Moving, texturally rich, filled with unique takes on common forms that are both challenging and completely accessible, Orquestra Popular de Camara manages to bring a vital new slant to the popular Brazilian folk form. Not quite folk, not quite jazz, not quite classical, it is difficult to pigeon-hole, but in the final analysis its sheer elegance and deep expression make it an album well worth investigating.
John Kelman
Adventure Music
This orchestra has a new take on the creativity of Brazilian music; the variety of instrumentation adds to its uniqueness; vilincello, country viola, piano, zabumbha, accordion, bendolin, bamboo flute and saxophones combine to create different styles from different origins with added individual panache. The opening track “Bajaty” floats over you in waves, haunting, mystic, fresh and exciting. “Vinheta Espanha Ou Do Agreste?” (Spanish Vignette or Wild Northeast?) Is thirty six seconds of African sound. “Parafuso” (Screw) has an accordion, flutes and colective percussion creating an organic and beautifully timbered sound. “Choro Moreno” (Dark Skinned Choro) starts with the haunting voice of Monica Salmaso over the piano, flutes that compliment an almost eerie union with the voice. This is a CD of effects and feelings, at times misty, always organic, richly timbered complex and compelling. Pianist Benjamin Taublein and flutist Mane Silveria do most of the arranging. Have the Orquestra Popular de Camara perform at your school concert as visiting guests and they would probably bring the house down; no need for the effect of dry ice, they will create their own. Excellent CD.
Ferdinand Maylin
Copyright Jazz Now, July 2005 edition


